Depois do teatro e do cinema, a sensação em Curitiba é a fotografia. Nos próximos sete dias a arte fotográfica estará nas galerias, ao ar livre, pelos mais variados espaços da cidade. Paralelamente às exposições, acontecerão cursos para iniciantes, profissionais, estudantes, publicitários, programadores visuais, jornalistas, produtores gráficos e artistas plásticos. Na qualidade de professores estarão alguns dos melhores fotógrafos do País.
‘‘Triângulos Interessantes’’, de José Oitica‘‘Music in Home’’, do fotógrafo americano Jack DelanoEsta é uma síntese da II Bienal Internacional de Fotografia, o maior acontecimento do gênero no Estado, que abre hoje, oficialmente, às 20 horas, no Solar do Barão. O prefeito Cássio Taniguchi e a presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Margarita Sansone, aproveitam a sessão para inaugurar o Museu da Fotografia, o primeiro do gênero em todo o Brasil.
Os sete dias da bienal serão intensos para quem quiser participar de seus cursos, tomar contato com as produções dos grandes fotógrafos e apreciar os trabalhos dos brasileiros e estrangeiros presentes no evento. Ao todo serão 41 exposições que poderão ser visitadas, nos mais diferentes lugares.
A maioria desses espaços pertencente à Fundação Cultural de Curitiba, promotora do evento. Mas tem também a Galeria Schneider, o Teatro Guaíra, a Caixa Econômica Federal, o Shopping Curitiba, Instituto Goethe, a Casa da Imagem e o Solar do Barão entre outros endereços.
Augusto Roa Bastos faz parte da famosa série de retratos da argentina Sara FacioOs temas agradam aos gostos mais variados. Desde as imagens da Amazônia às grandes concentrações urbanas, dos momentos sublimes a duros registros sociais. Todos assinados pelos fotógrafos mais conceituados do Paraná e do Brasil. O Mercosul se fará presente no acontecimento com as participações de fotógrafos argentinos, paraguaios e uruguaios.
A argentina Sara Facio expõe pela primeira vez no Brasil. Ela terá uma sala especial para expor os retratos de escritores latino-americanos, colhidos durante os anos de 1963 a 1973. São celebridades mundiais que sua lente captou: Pablo Neruda, Octavio Paz, Julio Cortázar, Augusto Roa Bastos, Jorge Luiz Borges, Ernesto Sábato, Gabriel García Marquez, Mario Vargas Llosa, Miguel Asturias foram alguns dos que posaram para os ensaios de Sara.
Ela conta que o fato de haver conhecido Cortázar, e ter comentado com ele sobre os escritores latinos amadureceu a idéia de criar um livro de retratos. ‘‘Tinha que definir o critério, fazer uma seleção e um plano de tomadas. Não se tratava de amontoar caras e nomes, senão retratar aqueles que considerava os melhores escritores.’’ Foi o que fez, com lucidez e objetividade. Acertou na mosca.
Aos 66 anos de idade, Sara Facio afirma que a inteligência e o talento artístico são valores tão importantes para um país como são as finanças, indústrias, esporte ou turismo. A riqueza que os artistas remetem à sua pátria ou a um continente é, a longo prazo, a única que não se desvaloriza, comenta.
Nome constante nas principais antologias fotográficas dos Estados Unidos, Europa e Argentina, Sara é assessora de Fotografia da Secretaria de Cultura do governo argentino e do Museu Nacional de Belas Artes, onde criou a primeira coleção fotográfica com obras internacionais. Dona de uma carreira vitoriosa, iniciada nos idos de 50, estudou na França, Inglaterra, Itália e Estados Unidos, antes de voltar para a terra natal.

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