Os 37 quilômetros de praias de Daytona Beach poderiam ser simplesmente mais um pedaço de areia branca ao longo da Costa Atlântica que banha toda Flórida. Mas, há décadas, esse balneário ficou conhecido como ‘‘A mais famosa praia do mundo’’. Tudo porque Daytona conseguiu reunir duas paixões dos americanos num mesmo local: a praia e o carro. O mito em relação à velocidade é tão forte que a cidade também ficou conhecida como ‘‘Capital Mundial da Corrida’’. Isso começou muito antes da Fórmula 1, Indy ou qualquer outra fórmula. Já na virada do século, a pequena localidade litorânea, a 90 quilômetros a leste de Orlando, era um refúgio de inverno dos pioneiros da indústria automobilística como Henry Ford, Ranson Olds, Stanley e Louis Chevolet, além dos magnatas como Rockfeller, Vanderbilt e os Astor. Como estava de férias ali, eles tinham tempo de sobra para aventuras. Foi assim que Ranson Olds, em 1902, descobriu que a areia de Daytona era firme o bastante para suportar o peso de seu carro. No ano seguinte ele desafiou num ‘‘racha’’ o motoqueiro Alexander Winton e perdeu. Winton bateu o recorde de velocidade: 109 Km/h, um espanto para a época. A partir daí, a praia de Daytona nunca mais foi a mesma.
A popularidade da dobradinha praia-velocidade aumentava ano a ano. Em 1904 Daytona Beach sediou o Winter Speed Carnival, atraindo ricos e entustiastas da velocidade de todo mundo. Algumas façanhas históricas aconteceram naquela areia como o recorde de 331 Km/h estabelecido pelo milionário inglês Sir Malcolm Campbell em 1928. Sempre utilizando motor de avião, sete anos depois Campbell elevou o recorde para 445,3 km/h. A efervescência era tão grande que em 1936 foi criada a stock car, reunindo um ousado grupo de pilotos. A fama da ‘‘cidade da velocidade’’ se espalhava pelos Estados Unidos e outros países. Com sede em Daytona, em 1947 foi fundada a National Association for Stock Car Auto Racing (Nascar). Isso contribuiu para aglutinar o potencial do automobilismo. Como a praia já não comportava os milhares de fanáticos que queriam assistir às corridas, em 1959 foi inaugurado uma espécie de Maracanã do automobilismo, o Daytona International Speedway. Era o que faltava para para consagrar a cidade como meca da velocidade.
Toda promoção turística de Daytona Beach ao longo de décadas tem sido vinculada aos carros e a praia. Ainda que as corridas tenham saído da praia, os carros ainda continuam por lá. Há vias para tráfego literalmente na areia, inclusive com área para estacionamento ao preço de cinco dólares por dia. A velocidade máxima é 16 Km/h, o suficiente para os universitários americanos desfilarem com seus carrões esportivos. Aliás, durante a curta temporada de férias da primavera (Spring Break) Daytona ainda está no topo entre os destinos preferidos pelos estudantes. Esses estudantes representam um público de mais de 200 mil pessoas. Eles merecem atenção especial do departamento de turismo: são criados eventos para mantê-los ‘‘ocupados’’ durante o Spring Break.
Durante os meses de fevereiro, março, abril, julho e outubro acontecem em Daytona os principais eventos esportivos envolvendo carros e motos. Para assistir a uma dessas provas, como a Daytona 500 da categoria Nascar no próximo dia 14, os ingressos precisam ser reservados com um mínimo de um ano de antecedência. Os fanáticos chegam de todas as partes do mundo e ‘‘gastam’’ entre 10 e 12 dias vistoriando as máquinas e o seu desempenho durante os treinos. No dia da corrida, são mais de 130 mil torcedores que lotam as arquibancadas do Daytona International Speedway. Fora desses meses mais concorridos, ali também são realizadas provas de carro-esporte, moto e kart.
Inaugurado em 1959, o Centro Mundial de Corridas de Daytona ocupa uma área de 182 hectares. A cidade vive em função dos eventos que são realizados ali. Mesmo quando não existem corridas, o autódromo é visitado diariamente por centenas de pessoas. Seu funcionamento é das 9 às 17 horas. Ali o turista encontra tudo sobre automobilismo, inclusive um filme mostrando em detalhes os bastidores das provas, os boxes, a Winstor Tower, garagens, além pistas e imagens exclusivas das últimas corridas gravadas de dentro dos carros. Os tours são a cada vinte minutos.
Não poderia faltar em Daytona um museu do carro. Por isso foi inaugurado em 1994 o Klassix Auto Museum onde estão expostos carros novos e de coleções. Uma das raridades são os Corvettes: existe um modelo de cada lançamento desde 1953. Há, evidentemente, a memória dos carros de corrida e de todos os esportes motorizados, incluindo motos. Como estamos nos Estados Unidos, opções de consumo nessa área não faltam. Existem todos os tipos de lembranças de corridas. Uma outra atração são os vídeos interativos com tudo sobre automobilismo.
Além dos carros, Daytona Beach tem uma espécie de ímã que atrai os motoqueiros de todas as partes do país e também do Canadá. Principalmente os milhares de fanáticos pelas motos Harley Davidson. Além dos encontros anuais, grandes tribos com centenas de motoqueiros descem do leste e da costa oeste para se encontrar na cidade. Eles invadem literalmente a cidade. Em alguns trechos a exclusividade nas ruas é das motos. São os tipos mais exóticos: vão desde os cabelos coloridos, animais pelo pescoço, roupas pretas de couro com detalhes na cor prata, botas de cano alto e o corpo tomado por tatuagens.
É uma geração que resiste à chamada vida moderna e faz questão de desprezar tudo o que é ‘‘politicamente correto’’. Por isso, transmitemr o seu desprezo a tudo o que é considerado normal. São uma espécie de hippies que vivem pela e para a liberdade de correr estradas por caminhos nem sempre convencionais. Mas como berço da velocidade e da praia por onde os veículos circulam livremente, Daytona oferece toda infra-estrutura para receber os estradeiros de duas rodas. São áreas de camping, bares, lojas especializadas e points com música ao vivo.
Essa relação oficial de daytona com as motos começou no dia 24 de janeiro de 1937, data da primeira corrida. Foi uma corrida de 3,2 milhas na praia vencida por Ed kretz, de Monterrey Park, Califórnia. Em 1942 as provas foram suspensas por causa da Segunda Guerra só retornando em fevereiro de 1947. Batizado simplesmente como Bike Week, o próximo evento acontecerá de 26 de fevereiro a 7 de março. Durante esses 10 dias, acontece um verdadeiro festival com as mais diversas atrações. São esperados, como em outros ano, mais de 200 mil participantes.

mockup