É engraçado, todo mundo diz que não acredita, mas uma das primeiras coisas que perguntamos quando estamos paquerando alguém é: qual é o seu signo? Na época que a princesa Diana morreu, Walter Mercado disse que o casamento dela com o príncipe Charles não deu certo porque ela era de Câncer e ele de Escorpião. Mas será que o motivo do sucesso e o fracasso dos relacionamentos é tão simples assim?
Para o astrólogo Kas Thor, de São Paulo, não dá para saber se uma pessoa será feliz ou infeliz ao lado de outra apenas sabendo seu signo. ‘‘Isso limitaria muito as possibilidades. A humanidade toda estaria contida em apenas poucos padrões. Na astrologia o que rege os relacionamentos são os mapas completos, a começar pelos ascendentes, e não os signos’’, explica.
Segundo ele, para saber realmente se o seu signo combina com o dele(a) tem de ser feita a sinastria - mapa astral feito a partir dos mapas astrais das duas pessoas envolvidas na relação. ‘‘Ela é de grande utilidade, uma ferramenta de auto-ajuda, que mostra onde estas pessoas combinam, onde brigam’’, resume Kas Thor. Para se elaborar o mapa astral é preciso saber com precisão a data, o horário e o lugar do nascimento.
‘‘O signo solar é você lá dentro, sua personalidade, e o ascendente é o que você exterioriza, o que você revela para o mundo’’, afirma o astrólogo. ‘‘Já as emoções são regidas pela Lua. Por exemplo, uma pessoa com a Lua em Peixes quer sempre ajudar os outros, tem um lado cristão muito forte’’, analisa. Segundo Kas Thor, o que pode ser dito com relação aos relacionamentos, de um modo bem geral, é que os signos do elemento Terra combinam com os de Água, e os de Fogo, com os de Ar. Nessa mesma linha de raciocínio, os signos de Terra são mais racionais, os de Água mais emotivos, de Ar mais intelectuais e de Fogo, mais ativos.
Todo mundo conhece a fama de bons amantes dos nativos de Escorpião, mas, segundo Kas Thor, a libido é muitas vezes maior nos nativos de Touro e ainda mais quente nos nativos de Áries, embora, ele ressalta sempre, o que importa é o mapa astral completo. ‘‘Para os nativos de Escorpião o sexo tem um significado mais profundo, tem uma razão de ser. Já para os taurinos é uma necessidade física, e Áries, como representa todos os tipos de perfuração, você pode tirar suas próprias conclusões’’, frisa, brincando.
O estudo da astrologia é revelador. Quando bem-feito, um mapa astral pode ser um poderoso recurso de autoconhecimento. A psicoterapeuta londrinense Adelaide Rotter lembra que começou a estudar o assunto justamente com este objetivo, e depois que viu como ele poderia ser útil também para os outros não parou mais.
Com a permissão dos clientes, Adelaide costuma traçar seus mapas astrais, que tornam-se verdadeiras fontes de pesquisa. Para ela, a astrologia é uma forma de compreender mais globalmente o ser humano. ‘‘O meu objetivo é conseguir fazer com que as pessoas estejam mais conscientizadas daquilo que são e dos recursos internos que possuem para lidar com as situações de vida de uma forma mais criativa e mais solta em um tempo menor’’.
A psicoterapeuta faz questão de lembrar, porém, que se trata de um estudo extremamente amplo, que permite várias interpretações. Mas as informações contidas em um mapa astral são inquestionáveis.
Segundo a assistente de marketing e pesquisadora em astrologia Karmel Meir, de Curitiba, através do levantamento das casas em que se situam os planetas o astrólogo pode orientar alguém nos relacionamentos interpessoais, no trabalho, no amor. ‘‘A sinastria é extremamente reveladora, ajuda as pessoas a se encararem.’’ Karmel vai mais longe, e afirma que ‘‘se todo mundo fizesse sinastria antes do casamento, não teria tanta gente precisando de Viagra’’.
O relacionamento entre pais e filhos também ganharia muito se todos tivessem à mão seus mapas astrais. Através deles é possível esclarecer traumas e trazer à tona questões de hereditariedade que podem ser muito úteis. ‘‘Todas as pessoas nasceram para ser bem aproveitadas. É uma questão de saber escolher o caminho certo’’, resume Karmel.
A astróloga londrinense Miriam Giro lembra que, embora as consultas de mapas individuais sejam mais comuns, a sinastria poderia ser muito útil para indicar as áreas de possíveis conflitos e os pontos de afinidade. Segundo Miriam, as duas situações em que os casais mais procuram a sinastria é quando estão no começo do relacionamento, na chamada fase do deslumbramento, ou quando já estão em forte crise. Neste caso, ela pode funcionar como indicadora de caminhos ou explicar onde o relacionamento começou a se perder.
‘‘O que nós, astrólogos, fazemos através do mapa astral é uma análise numa linguagem simbólica, que pode ajudar as pessoas a terem uma vida melhor’’, define Miriam Giro.

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