Sob o signo da ousadia
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de junho de 2002
Nelson Sato<br>Reportagem Local 
Uma surpresa aguarda os desavisados nas bancas. Depois de amargar sete anos fora do mercado, a revista Gráfica voltou a circular esta semana trazendo o creme da produção visual contemporânea. O retorno é marcado pela duplicação do número de páginas e edição inteiramente colorida.
A revista continua sendo comandada pelo designer Oswaldo Miranda, o Miran, em Curitiba. Alcançando o número 52, mantém-se como um elo de ligação entre o Brasil e a vanguarda da criação gráfica internacional mostrando artistas locais e do resto do mundo. Desta vez, traz trabalhos nas áreas de ilustração, design, tipografia e fotografia destacando nomes como Bill Mayer (EUA), Nine Carlos (Argentina), Bob Wolfenson (Brasil), Bob Dennard (EUA) e David Carson (EUA).
Miran é avesso a entrevistas, workshops e conferências. Antes de criar a revista já fizera história em Curitiba assinando a diagramação audaciosa do jornal Raposa. Apesar do temperamento recluso, foi referência na cidade ao catalizar a criação gráfica local montando exposições aqui e ali. Nesta fase, de tanto juntar material, percebeu que as paredes das galerias já eram insuficientes para abrigar os trabalhos dos artistas.
Foi aí que decidiu publicar a revista. Gráfica surgiu em 1983 quase como um divisor de águas para os designers brasileiros. Até então, os profissionais do setor ainda eram confundidos com publicitários, apesar do relativo reconhecimento de gerações talentosas formadas a partir de instituições como a Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) e a Associação Brasileira de Desenho Industrial (ABDI).
Mas Gráfica colocou todos na vitrine. Sua aparição foi fundamental para valorizar o metiê e fortalecer a reputação dos artistas pátrios. Inovadora, chegava aos leitores num formato quase quadrado (26 cm x 27 cm) e com um padrão de excelência incomum para a época. Miran cansou de abocanhar prêmios internacionais. A revista circulava no exterior através da Rotovisa, a maior distribuidora de livros e revistas de arte do mundo.
Metade da tiragem ia para fora do País. O título entrou para a seleta galeria das 5 melhores publicações do gênero no planeta ao lado da Idea (Japão), Graphis (Suiça), Print (EUA) e Communication Arts (EUA). Entre as edições de maior repercussão constam dois números dedicados às mulheres designers e outra que destacou exclusivamente cartuns. Ao longo de sua trajetória, houve outras interrupções além da última.
O prestígio conquistado não impediu uma fuga de anunciantes no começo dos anos 90, ocasião em que Miran viu-se obrigado a vender o carro para pagar despesas e garantir a continuidade da publicação. O recente recesso foi provocado pela falta de patrocínio. A volta foi viabilizada por uma parceria entre as editoras Escala, Opera Graphica e gráfica Oceano. Nesta nova fase, terá periodicidade quadrimestral e tiragem inicial de 6 mil exemplares.
A circulação ficará por conta da distribuidora Fernando Chinaglia, que cobre todo os território nacional. Agora, só não vai apreciar a revista quem não quiser.
Serviço:
Revista Gráfica. 160 páginas. R$ 29,00. Editora Escala (tel. 11/ 3255-8993).


