A vida cultural em Curitiba esteve efervescente em 1998. Os curitibanos não podem reclamar de não terem tido onde ir ou o que ver. A cidade sediou importantes exposições, eventos internacionais e ainda inaugurou teatros, centros culturais e cinemas.
A Fundação Cultural de Curitiba foi a responsável pela organização da maioria dos eventos. Entre os principais está a exposição de cerâmicas de Picasso. A mostra esteve em abril no Memorial de Curitiba com 30 peças originais de cerâmicas feitas pelo espanhol Pablo Ruiz Picasso. As peças, produzidas entre 1948 e 1969, foram trazidas de Buenos Aires pois pertencem à companhia argentina Texoart.
Pela primeira vez esse conjunto, adquirido de colecionadores europeus há cerca de um ano, realizou uma excursão latino-americana. Os temas recorrentes nos seus quadros também aparecem nas linhas, pinceladas e cores que ornamentam os objetos. São figuras mitológicas, como faunos e centauros, além de touros e da tauromaquina.
Arquivo FolhaCerâmicas de Pablo Picasso: exposição no Memorial de Curitiba marcou vida cultural da cidadeOutra exposição que marcou o ano foi ‘‘Paranaguá 350 Anos-Civitas Mater do Paranᒒ, em homenagem ao aniversário da ‘‘cidade-mãe’’ dos paranaenses. Fruto de intensas pesquisas realizadas em museus de Curitiba e de Paranaguá, a mostra reuniu peças raras e foi uma das mais completas feitas até agora sobre o primeiro núcleo de povoação do Estado.
Entre as inaugurações está a nova sede da Cinemateca de Curitiba. O complexo localizado na Rua Carlos Cavalcanti, abriu as portas em abril com a estréia do filme ‘‘Boleiros’’, do diretor Ugo Giorgetti. O acervo da Cinemateca é a memória cinematográfica do Paraná. São mais de mil títulos em celulóide e cem rolos de filmes com base de nitrato de prata. Em setembro, a Cinemateca mostrou a mais completa retrospectiva já realizada no Brasil da obra do cineasta francês François Truffaut.
O prefeito Cassio Taniguchi inaugurou em junho, no Parque São Lourenço, a Casa Erbo Stenzel - um espaço cultural dedicado ao escultor curitibano falecido em 1980. A casa dispõe de uma exposição permanente sobre a vida de Erbo Stenzel.
No mês seguinte, a Fundação Cultural de Curitiba inaugurou o teatro do Parque São Lourenço, que recebeu o nome do diretor paranaense Cleon Jacques, falecido em 1996, com 31 anos. A abertura foi marcada com a estréia da montagem curitibana do espetáculo ‘‘Alice Através do Espelho’’, dirigida por Paulo de Moraes. Esse novo espaço é destinado a encenações não-convencionais, aberto a artistas que procuram novas possibilidades cênicas.
O Teatro do Paiol foi palco para a música de Danilo Caymmi, no Show ‘‘Mistura Brasileira’’, em abril. O cantor e compositor mostrou o repertório de seu mais recente CD, que tem o mesmo nome do espetáculo.
Considerada uma das grandes intérpretes da música popular brasileira, Nana Caymmi também esteve em Curitiba, no mesmo teatro, apresentando canções que ficaram eternizadas em sua voz. Nana levou ao palco o show que deu origem ao seu trabalho ‘‘No Coração do Rio’’.
A II Bienal Internacional de Fotografia movimentou a cidade em agosto com 42 exposições de mais de 200 fotógrafos. Este ano, a Bienal teve como foco principal a criação do Museu da Fotografia, o primeiro do Brasil e da América do Sul.
Junto com 17 workshops, debates, palestras e lançamentos de livros, as mostras formaram um amplo panorama da produção nacional contemporânea e dos países do Mercosul.
Com curadoria de Orlando Azevedo, que também coordenou a primeira edição da Bienal, as exposições reuniram nomes consagrados da fotografia brasileira, além de representantes da Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Estados Unidos, Portugal e China.
O Museu da Fotografia foi montado com um acervo composto por 1,5 mil cópias definitivas, nas dependências do Solar do Barão, onde já funcionam o Museu da Gravura, o Museu do Cartaz e a Gibiteca. A proposta é promover um ‘‘diálogo’’ entre a fotografia, a gravura e as artes gráficas.
A edição de 1998 do projeto Perhappiness - evento literário promovido pela FCC, fechou o ano com a apresentação do espetáculo teatral ‘‘O Demônio da Palavra’’, que reúne trechos de obras de João Guimarães Rosa. Concebido por Cassiana Lacerda e dirigido por Eugênio Gielow, o espetáculo foi apresentado no Teatro do Paiol.
Durante duas semanas, foram realizados lançamentos de livros, palestras, mesas-redondas, peças teatrais e exibição de filme. O Perhappiness 98 encerrou com duas mesas-redondas, sobre políticas de incentivo à leitura e à criação literária.Arquivo FolhaInauguração do Museu da Fotografia no Solar do Barão, em Curitiba: o primeiro do Brasil e da América do SulElisa Marilia Carneiro

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