Viver situações de perigo não é novidade na carreira de Roberto Cabrini. Prestes a completar 25 anos de profissão, ele já cobriu diversos conflitos internacionais, como no Oriente Médio, Camboja e no Afeganistão. Hoje, aos 41 anos, Cabrini participa de uma guerra diferente: pela audiência. À frente do ''Brasil Urgente'', que estréia na amanhã na Band, às 18 horas, ele vai disputar o Ibope e o público com o ''Cidade Alerta'', da Record, que alia jornalismo ''hard news'' à prestação de serviço e registra 15 pontos no horário. ''O Datena é um ótimo profissional, mas a formação dele é diferente da minha. Quem acompanha meu trabalho sabe que eu jamais faria sensacionalismo'', alfineta.
Na nova emissora, Cabrini vai desempenhar, pela primeira vez, a função de ''âncora'' de um telejornal. Mesmo assim, ele vai se esforçar para continuar fazendo o que mais gosta: as matérias investigativas. Foi ''cavando'' que ele descobriu, por exemplo, o paradeiro, entre outros, do ex-tesoureiro de Fernando Collor, PC Farias, na Inglaterra, ou da fraudadora do INSS, Georgina de Freitas, na Costa Rica. Além disso, Cabrini ambiciona também transformar o ''Brasil Urgente'' num fórum de debates para os problemas da população. ''Não adianta falar apenas para uma meia dúzia de intelectuais. Quero fazer um programa que seja assistido tanto pela Dona Maria quanto pelo Doutor Mário'', exemplifica.

Muito antes de o programa estrear, a imprensa já comparava o ''Brasil Urgente'' ao ''Cidade Alerta''. O que acha disso?
Já vi o ''Cidade Alerta'' algumas vezes. Se está dando audiência, tenho de assistir para saber do que o público gosta. Não posso ter preconceitos. Mas acho que a imprensa fez essa comparação antes da Band anunciar minha contratação. Jamais fiz sensacionalismo. Não estou querendo dizer que o Datena faça. Ele tem os seus valores. Mas a formação dele é diferente da minha. Não dá para comparar um programa com outro.

Mas, afinal, o que vai diferenciar o ''Brasil Urgente'' de outros programas do gênero?
O meu programa vai ser mais opinativo. Mas também não vou querer dar nunca a última palavra. Pelo contrário. Quero levar o público a pensar por si mesmo, a cobrar seus direitos, questionar a situação em que vive e assim por diante. Esta é a contribuição que quero dar à tevê brasileira. Quero fazer um programa que seja acessível a todos. Mas faço questão também que este programa tenha conteúdo e qualidade.

O que você acha da proposta do atual diretor de criação da Band, Rogério Gallo, de popularizar a programação?
O jornalismo da Band sempre teve bastante credibilidade junto ao público. Pessoalmente, nunca vou pegar pesado. Audiência a qualquer preço? Jamais. A audiência é uma das formas de avaliação de um programa. Mas não é a única. Quero audiência sim, porque isso significa que o público aceitou bem o meu trabalho. Mas quero também colocar no ar um programa agradável de ser visto. Programa popular não significa de baixa qualidade.

Você pretende conciliar a função de repórter com a de apresentador?
Pretendo. A Band me chamou justamente por causa da minha carreira de repórter. Quero continuar fazendo matérias investigativas, mas admito que vou ter de ser mais seletivo nas pautas. Mesmo assim, encaro esse convite da Band como um reconhecimento a tudo que já fiz como repórter. No exterior, os profissionais que são promovidos a ''âncoras'' são aqueles que possuem carreiras importantes como repórteres. É assim que eu vejo. Gosto de encarar novos desafios. Só assim posso me reciclar profissionalmente.

O que você achou da iniciativa do ''Domingo Legal'' de reprisar a matéria que você fez em 96, no Afeganistão, sobre a ascensão do talibã ao poder?
Achei legal. Gosto quando o jornalismo é valorizado dentro de um programa de forte apelo popular. Já cansei de ouvir que jornalismo não dá audiência. Isso não é verdade. Quando o ''Domingo Legal'' reprisou a matéria, a audiência subiu sete pontos. Quando a reportagem é bem-feita, ela dá audiência. E muita.

mockup