Sob a vibração da música
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sábado, 04 de janeiro de 2003
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba O compromisso da Fundação Cultural de transformar Curitiba na capital americana de Cultura começa a partir de amanhã, com a abertura oficial da 21 Oficina de Música de Curitiba. Não será tarefa fácil, analisando a atual conjuntura econômica, mas a fundação promete driblar os obstáculos (a maioria ligada à falta de verbas) e garantir uma programação bastante eclética durante o ano do título. Com a oficina, por exemplo, o maior evento musical da cidade, a fundação começa adequando o orçamento, cerca de 45% menor que o previsto, com as atividades pré-agendadas.
O resultado não será sentido na programação, conforme atestam os coordenadores do evento, mas talvez no bolso do público, já que pela primeira vez na história da oficina, os concertos serão cobrados. O preço, no entanto, são menos salgados do que shows habituais: variam de R$ 1,00 mais um quilo de alimento a R$ 5,00. ''O dinheiro será revertido para pagar os custos da oficina. Foi a forma que encontramos para contornar a alta do dólar e das passagens aéreas'', diz a presidente do conselho artístico da oficina, Janete Andrade.
Do custo previsto de R$ 1,8 milhão, duas vezes maior do que no ano passado, a captação de recursos para o primeiro grande evento do ano não alcançou a cifra de R$ 1 milhão. ''Não conseguimos captar o restante'', explica Janete.
O público e os cerca de dois mil alunos que participam da oficina não devem notar as baixas e a cidade deve sentir as (boas) vibrações da música erudita e popular durante os 21 dias do evento. Nesse período, 100 professores de mais de 15 países vão ministrar pouco mais que uma centena de cursos para quase dois mil alunos de todo o País, da América Latina e até da Suíça. Serão 107 cursos, divididos em duas fases: música erudita (57 cursos) e MPB (50 cursos). Durante os dias da Oficina, professores, tanto da fase erudita como da fase de música popular brasileira, levarão a vários espaços da cidade uma ampla programação de concertos.
A agenda começa amanhã, às 20h30, no auditório Bento Munhoz da Rocha do Teatro Guaíra. Pouco depois da solenidade que vai marcar a abertura da Capital Americana de Cultura 2003 e os 30 anos da Fundação Cultural de Curitiba, o violoncelista Antonio Meneses e o pianista Ricardo Castro se apresentam com a Orquestra de Câmara de Curitiba tocando peças de Joseph Haydn, sob a regência de Cláudio Cruz. Após o concerto, está previsto também show de fogos de artifícios em frente ao teatro.
No dia seguinte, na segunda-feira, começam os cursos, que transformam as salas e corredores do Colégio Estadual do Paraná, onde são realizados os inúmeros concertos dos professores e músicos convidados. A fase erudita, como em todos os anos, acontece primeiro, se estendendo até o dia 15. Após essa data, a começa a fase popular, que vai até o dia 25. ''A procura dos cursos para as duas fases é proporcional'', compara Janete Andrade.
A presidente do Conselho Artístico da oficina observa que a demanda pelos cursos pode revelar uma faceta social da música. Foi uma surpresa, por exemplo, a falta de procura pelo curso de quartetos, que seria ministrado pelo Quarteto de Cordas do Teatro Municipal de São Paulo. ''Tivemos que cancelar o curso pela falta de inscrições, isso mostra que não existem muitos quartetos no País'', explica. Outra baixa pelo mesmo motivo foi o curso de Produção Sonora, que seria ministrado por Rodolfo Coelho.
Ainda assim, a oficina é um dos eventos que mais registram procura nos diversos cursos ministrados. ''É uma oportunidade do aluno estar ao lado do seu mestre'', diz Janete. Além disso, são realizados diversos concertos com os estudantes, o que permite a troca de informação e experiências na área. O público também pode conferir o que acontece no mundo da música, participando dos concertos. Este ano, Janete recomenda o concerto da Orquestra de Portugal e o Concerto da Orquestra Sinfônica Juvenil do Rio de Janeiro.
As duas orquestras se apresentam na fase erudita da oficina. Pelo segundo ano, a direção artística da fase erudita está a cargo do curitibano Alexandre Klein, primeiro oboísta da Orquestra Sinfônica de Chicago e vencedor do Prêmio Grammy 2002 de melhor solista instrumental. Ele também será um dos destaques do programa de concertos. Uma das apresentações mais aguardadas de Klein acontece no próximo dia 9, num grande concerto de música antiga no Canal da Música.
O violinista americano Dale Clavenger, que se apresenta na Catedral Metropolitana de Curitiba, também é destaque na oficina. Ele pretende reviver a tradição renascentista de levar a música para as grandes catedrais, reunindo um grande número de metais para a apresentação. O evento também apresenta concertos com o primeiro trompista da Chicago Symphony Dale Clavenger, o violinista Shmuel Ashkenazi, do renomado Quarteto de Cordas Vermeer, o flautista Ricardo Kanji e o alaudista americano Hopkinson Smith.
O maestro português Osvaldo Ferreira irá reger no concerto de encerramento a ''Sagração da Primavera'', de Stravinsky, com a Orquestra Sinfônica do Festival. O concerto de abertura da fase de Música Popular Brasileira será com a Orquestra do Conservatório de MPB e músicos convidados. O encerramento da XI Oficina de Música Popular Brasileira será com Hermeto Pascoal e Banda.
Serviço:
21 Oficina de Música de Curitiba, de 05 a 25 de janeiro. Ingresso a R$ 1,00 mais um quilo de alimento para os concertos realizados no Teatro HSBC (Palácio Avenida); a R$ 5,00 para os espetáculos realizados no Teatro do SESC da Esquina e para os realizados às 21 horas. Alunos com crachá da Oficina de Música não pagam ingresso.


