Sob a proteção eterna dos moais
A Ilha de Páscoa é vigiada por 887 pétreas estátuas espalhadas pela orla de seu pequeno território. Os moais, assim chamados, foram montados sobre plataformas de pedra e são, a rigor, parte dos monumentos funerários, ou ahus, na língua nativa da região.
Quase todas essas estátuas olham para o interior da ilha, exceto as sete do Ahu Akivi, viradas para o oceano. As figuras estão orientadas com perfeição para o equinócio do inverno. Curioso é o eco que se produz quando se fala à distância, por trás desses moais.
O ahu mais impressionante de todos é o de Tongariki, no setor leste da Ilha de Páscoa. Recentemente reconstruído graças a modernos e poderosos guindastes, o lugar reúne 15 figuras gigantescas que têm um imenso poder de sedução. A quase 200 metros dele há figuras de tartarugas, atuns e outros animais talhados em rochas no nível do chão. Daí se supõe que o setor tinha boa pesca e era bastante frequentado pelos antigos habitantes de Páscoa.
A visita ao Vulcão Rano Raraku dá ao turista a visão real do trabalho titânico que significou a construção das enormes estátuas, que medem, em média, entre 6 e 20 metros. Esse lugar é chamado de canteiro de obras pelos arqueólogos, ou fábrica de moais.
Em suas paredes rochosas foram feitas as gigantescas figuras que hoje se espalham por toda a ilha. Elas eram esculpidas na horizontal, diretamente na rocha do vulcão. Depois, suas costas eram descoladas da pedra que servia de base. Dali, as estátuas eram então transportadas.
Lá podem ser vistos 397 moais nas mais variadas fases de acabamento. O maior de todos, inacabado, mede 23 metros, e seu peso é estimado em 400 toneladas. O visitante observador descobrirá uma trilha partindo do vulcão, que se perde na distância. Todas as figuras estão com o rosto voltado na direção do chão, porém nenhuma delas tem sinais de desgaste, produto do atrito com o solo, coberto de pedregulho vulcânico.
Dizem que o transporte dos moais era realizado por meio de troncos, sobre os quais as estátuas deslizavam. Mas a ilha nunca teve árvores de grande porte nem em grande quantidade. As poucas vistas atualmente foram plantadas durante o século passado.
Os nativos de Páscoa acreditam em outra hipótese: para eles, os sacerdotes antigos tinham uma força natural, chamada de mana que fazia os moais levitarem até seu lugar de destino.
Detalhe interessante: as estátuas gigantescas eram transportadas antes de que se terminassem os olhos. Esse trabalho, em obsidiana e coral, era concluído somente no local em que elas ficavam instaladas. Diz a lenda que isso era feito para que a estátua não soubesse o caminho de volta a seu berço, o Vulcão Rano Raraku.





