Sob a ótica dos mal-amados
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 1998
Celso Mattos 
DivulgaçãoMatthew Broderick e Meg Ryan estrelam comédia romântica dirigida pelo estreante Griffin DuneO que você seria capaz de fazer se aquele alguém muito especial lhe desse o fora? É justamente essa pergunta que a comédia romântica A Lente do Amor procura responder. De forma bem-humorada, o filme fala sobre o lado obsessivo do amor e até onde as pessoas são capazes de chegar quando se sentem ao mesmo tempo apaixonadas e desprezadas. Depois de se aventurar por um drama bélico, Coragem Sob Fogo, Meg Ryan volta a pisar em terreno seguro: a comédia. Mas, ao contrário de outros filmes nos quais ela era sempre é a vítima, em A Lente do Amor sua personagem Maggie parte para o ataque ao ser trocada por outra.
Para colocar em prática seu plano de vingança, ela encontra o par perfeito: o astrônomo Sam, interpretado por Matthew Broderick, que também levou um tremendo fora da namorada. Juntos, eles unem forças para uma desforra com requintes de absoluta crueldade. A Lente do Amor foi dirigido pelo estreante Griffin Dune, protagonista do hilário Depois de Horas, de Martin Scorsese. Não é de hoje que as comédias românticas têm público garantido. Afinal, é um gênero que agrada homens e mulheres, reunindo numa mesma receita ingredientes como amor e traição com leves pitadas de humor.
Há anos Hollywood vem investindo nesse gênero, contabilizando mais sucessos que fracassos. Basta lembrar da dupla Ginger Rogers e Fred Astaire ou de atrizes como Audrey Hepburn que brilhou em Bonequinha de Luxo e a eterna virgem Doris Day em Confidências à Meia-Noite. Depois dos turbulentos anos 60 e 70, que privilegiaram produções de caráter político-social, as comédias românticas voltaram às telas no início dos anos 90. Grande parte delas foi estrelada por Meg Ryan, entre elas, Harry e Sally - Feitos um para o Outro, Sintonia do Amor, Surpresas do Coração e A Teoria do Amor. Logicamente, sem o glamour e a riqueza cinematográfica dos filmes produzidos nos anos 40 e 50.
Já Matthew Broderick é um ator mediano. No início da carreira chegou a fazer bons trabalhos como Tempo de Glória e Negócios com a Máfia, mas depois somaram-se inúmeras experiências malsucedidas em filmes babacas como Curtindo a Vida Adoidado e O Pentelho. Recentemente, ele resolveu se aventurar na direção com Infinity, um filme bem-feito, mas bobinho. Estão também no elenco de A Lente do Amor a bela Kelly Preston, que trabalhou ao lado de Tom Cruise em Jerry Maguire, e a atriz veterana Maureen Stapleton, que ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua atuação em Reds, em 1981.
Se comparado a outras comédias dirigidas por cineastas independentes como Os Irmãos McMullen, de Edward Burns, e Procura-se Amy, de Kevin Smith, a A Lente do Amor, produzido pela Warner, deixa muito a desejar. O filme padece de um roteiro mais inteligente, menos convencional e de uma direção que não ficasse apenas no piloto automático. No entanto, garante diversão e serve de consolo para quem está passando por uma situação semelhante a do casal Maggie e Sam. Ou seja, curtindo uma tremenda dor-de-cotovelo. A história faz também uma sutil crítica à situação dos imigrantes que tentam sobreviver nos Estados Unidos.
Aproveitando os diabólicos planos de vingança elaborados pelo casal, o direitor Griffin Dune faz uma pequena mas feliz homenagem ao cinema. Para bisbilhotar o dia-a-dia da namorada com seu novo amor, o astrônomo Sam (Broderick) instala em seu esconderijo uma câmara escura. As projeções na tela refletem a magia e a força que a sétima arte exerce sobre as pessoas, despertando emoções, frustrações e uma profunda nostalgia. Duração: 101 minutos.


