DivulgaçãoMatthew Broderick e Meg Ryan estrelam comédia romântica dirigida pelo estreante Griffin DuneO que você seria capaz de fazer se aquele alguém muito especial lhe desse o fora? É justamente essa pergunta que a comédia romântica ‘‘A Lente do Amor’’ procura responder. De forma bem-humorada, o filme fala sobre o lado obsessivo do amor e até onde as pessoas são capazes de chegar quando se sentem ao mesmo tempo apaixonadas e desprezadas. Depois de se aventurar por um drama bélico, ‘‘Coragem Sob Fogo’’, Meg Ryan volta a pisar em terreno seguro: a comédia. Mas, ao contrário de outros filmes nos quais ela era sempre é a vítima, em ‘‘A Lente do Amor’’ sua personagem Maggie parte para o ataque ao ser trocada por outra.
Para colocar em prática seu plano de vingança, ela encontra o par perfeito: o astrônomo Sam, interpretado por Matthew Broderick, que também levou um tremendo fora da namorada. Juntos, eles unem forças para uma desforra com requintes de absoluta crueldade. ‘‘A Lente do Amor’’ foi dirigido pelo estreante Griffin Dune, protagonista do hilário ‘‘Depois de Horas’’, de Martin Scorsese. Não é de hoje que as comédias românticas têm público garantido. Afinal, é um gênero que agrada homens e mulheres, reunindo numa mesma receita ingredientes como amor e traição com leves pitadas de humor.
Há anos Hollywood vem investindo nesse gênero, contabilizando mais sucessos que fracassos. Basta lembrar da dupla Ginger Rogers e Fred Astaire ou de atrizes como Audrey Hepburn que brilhou em ‘‘Bonequinha de Luxo’’ e a eterna virgem Doris Day em ‘‘Confidências à Meia-Noite’’. Depois dos turbulentos anos 60 e 70, que privilegiaram produções de caráter político-social, as comédias românticas voltaram às telas no início dos anos 90. Grande parte delas foi estrelada por Meg Ryan, entre elas, ‘‘Harry e Sally - Feitos um para o Outro’’, ‘‘Sintonia do Amor’’, ‘‘Surpresas do Coração’’ e ‘‘A Teoria do Amor’’. Logicamente, sem o glamour e a riqueza cinematográfica dos filmes produzidos nos anos 40 e 50.
Já Matthew Broderick é um ator mediano. No início da carreira chegou a fazer bons trabalhos como ‘‘Tempo de Glória’’ e ‘‘Negócios com a Máfia’’, mas depois somaram-se inúmeras experiências malsucedidas em filmes babacas como ‘‘Curtindo a Vida Adoidado’’ e ‘‘O Pentelho’’. Recentemente, ele resolveu se aventurar na direção com ‘‘Infinity’’, um filme bem-feito, mas bobinho. Estão também no elenco de ‘‘A Lente do Amor’’ a bela Kelly Preston, que trabalhou ao lado de Tom Cruise em ‘‘Jerry Maguire’’, e a atriz veterana Maureen Stapleton, que ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua atuação em ‘‘Reds’’, em 1981.
Se comparado a outras comédias dirigidas por cineastas independentes como ‘‘Os Irmãos McMullen’’, de Edward Burns, e ‘‘Procura-se Amy’’, de Kevin Smith, a ‘‘A Lente do Amor’’, produzido pela Warner, deixa muito a desejar. O filme padece de um roteiro mais inteligente, menos convencional e de uma direção que não ficasse apenas no piloto automático. No entanto, garante diversão e serve de consolo para quem está passando por uma situação semelhante a do casal Maggie e Sam. Ou seja, curtindo uma tremenda dor-de-cotovelo. A história faz também uma sutil crítica à situação dos imigrantes que tentam sobreviver nos Estados Unidos.
Aproveitando os diabólicos planos de vingança elaborados pelo casal, o direitor Griffin Dune faz uma pequena mas feliz homenagem ao cinema. Para bisbilhotar o dia-a-dia da namorada com seu novo amor, o astrônomo Sam (Broderick) instala em seu esconderijo uma câmara escura. As projeções na tela refletem a magia e a força que a sétima arte exerce sobre as pessoas, despertando emoções, frustrações e uma profunda nostalgia. Duração: 101 minutos.

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