O prestigiado cineasta e diretor de fotografia Carlos Ebert ministra hoje em Londrina um seminário sobre seus trabalhos envolvendo a cinematografia digital. O evento é organizado pela pós-graduação em Cinema e Documentário da Faculdade Pitágoras, e aberto ao público.
Detentor de um currículo invejável, o carioca Ebert tinha apenas 19 anos quando se envolveu em sua primeira produção como diretor de fotografia, no clássico do cinema brasileiro 'O Bandido da Luz Vermelha', em 1968. Depois disso, sua carreira foi marcada por dezenas de curtas e longas metragens, além de muitos trabalhos para a televisão e publicidade. Ebert também é o responsável pela fotografia da ''Trilogia do Esquecimento'' - composta por três curtas dirigidos pelo londrinense Rodrigo Grota, e pelos quais ganhou em Gramado dois prêmios de Melhor Fotografia (por ''Satori Uso'' e ''Haruo Ohara''). Confira trechos da entrevista que o diretor concedeu, por e-mail, para a FOLHA:
O senhor foi diretor de fotografia dos três curta-metragens da ''Trilogia do Esquecimento''. Em sua opinião, qual desses projetos teve como resultado um melhor trabalho de fotografia? Qual é a sua visão sobre estes trabalhos realizados em Londrina?
Londrina é talvez na atualidade um dos mais importantes polos de produção de filmes e videos de curta metragem no Brasil. A Kinoarte conseguiu criar um grupo coeso de realizadores de alto nível e uma sistemática de produção que consegue preservar a qualidade a despeito das verbas irrisórias que são destinadas à produção audiovisual cultural no Brasil. Gosto dos três filmes da trilogia, dois deles me proporcionaram Kikitos em Gramado e outros prêmios significativos, mas sinto que Haruo Ohara, pelo fato de tratar da vida de um grande fotógrafo, proporcionou a todos nós uma jornada estética e artística inesquecível. Aguardo ansioso o lançamento do DVD com a trilogia completa, com extras, takes alternativos etc.
Qual o papel da fotografia com a chegada da nova revolução digital dos meios de produção, aliada aos múltiplos canais de transmissão da mídia via internet?
O audiovisual é antes de tudo imagem. O cinema silencioso dominou o mercado por décadas, chegando a uma excelência que o sonoro só iria recuperar após alguns anos de desacertos e limitações. Nada substitui a imagem expressiva, rica em tonalidades, gradações, texturas, profundidade, relevo etc. Novas tecnologias como o UltraHD (8k por linha), o 3D e daqui a alguns anos o cinema holográfico continuarão a aperfeiçoar a imagem cinematográfica até niveis que ainda nem suspeitamos.
O senhor está atualmente envolvido em algum projeto cinematográfico? Quais são os seus planos para o futuro próximo?
Terminei o longa Circular, rodado em Curitiba por cinco diretores estreantes, com produção da Grafo Audiovisual. Estarei em breve finalizando a imagem. Tenho dois longas prontos mas ainda inéditos, ''Um Homem Qualquer'', de Caio Vecchio, e ''Solo'', do Ugo Giorgeti, além da minissérie ''Miguel, Miguel'' de Roger Elarat, rodada em Belém do Pará. Este ano tenho ainda uma minissérie e alguns curtas. Além disso tenho dado cursos pelo norte-nordeste pelo CANNE (Centro de Audiovisual Norte Nordeste da Fundação Joaquim Nabuco), o mestrado em documentário na Fundação Getúlio Vargas em SP, além de oficinas. Como você vê, a agenda é corrida...
Serviço
- Seminário com Carlos Ebert
Quando - Hoje, a partir das 8h30
Onde - Auditório da Faculdade Pitágoras (Rua Edwy Taques de Araújo, 1100), em Londrina
Quanto - Gratuito
Informações - (43) 3373-7317

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