Sob a batuta do maestro
Em 40 anos de profissão, Stênio Garcia acha que já interpretou quase todos os personagens possíveis e imaginários. Só na tevê, desde a sua estréia em As Minas de Prata, de Ivani Ribeiro, o ator já viveu índio, padre, milionário, caminhoneiro, pescador e até bobo da corte. Nem bem ainda O Rei do Gado entrou em sua reta final, o ator já divide as suas horas de estudo com a peça teatral de Maurice Doisneau, Beethoven. Para viver em plenitude o compositor alemão, Stênio já começou a leitura simultânea de cinco biografias. A montagem tem muita música, mas também vai abordar alguns conflitos familiares pouco conhecidos do grande público, observa.
Formado no Teatro de Arena, de São Paulo, Stênio não esconde a euforia de interpretar um personagem tipicamente europeu e adianta que a estréia da peça deve coincidir com o aniversário de morte do compositor alemão, 26 de março. Para Stênio, a maior dificuldade na interpretação de Beethoven não será a deficiência auditiva e, sim, fingir que sabe que reger uma orquestra ou, na melhor das hipóteses, aprender a tocar piano. Beethoven é um personagem muito atraente que vai exigir de mim um estudo muito grande. Deve tomar, no mínimo, uns oito meses de trabalho, prevê o ator.
Para Stênio, interpretar um personagem portador de surdez não é nenhuma novidade. Por ocasião da novela Terceiro Pecado, de Ivani Ribeiro, o ator conviveu, durante dois meses, com os alunos do Instituto Nacional dos Surdos-Mudos, no Rio, na esperança de melhor caracterizar o seu personagem, o deficiente auditivo Tomás. Stênio observa que, ao contrário de Tomás, a deficiência de Beethoven foi adquirida ao longo dos anos e que o compositor alemão chegou a compor a famosa Nona Sinfonia em adiantado estado de surdez. Ele tinha a música dentro de si. Apenas a colocava para fora sob a forma de notas musicais, filosofa.





