Soa o terceiro sinal
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quarta-feira, 18 de março de 1998
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
Às 21h30 de hoje começa oficialmente o 7º Festival de Teatro de Curitiba. Nesse horário as luzes do Teatro Ópera de Arame estarão se apagando para dar início à encenação de Arlequino Servidor de Dois Patrões. Duas horas e meia depois, à meia-noite, no fosso do Guairão, o Fringe (franja em inglês) também oficializa sua presença com Um Artista da Fome. É a montagem inaugural do que foi chamado de festival dentro do festival, até então inédito.
Arlequino Servidor de Dois Patrões, com a Cia. Teatro di Stravaganza, é um dos melhores momentos da Commedia Dellarte - a comédia popular italiana. Cabe a Arlequino, um criado trapalhão, ajudar dois jovens enamorados a ter seu amor resolvido.
É claro que a cada encontro acontecem dois desencontros, e justamente aí está a graça do espetáculo. O criado não é mero bonachão no papel de cupido. Ele tem a sua personalidade e desejos próprios. Duas coisas ocupam seu pensamento constantemente: comida e mulheres.
A Cia. Teatro di Stravaganza é especialista em teatro cômico e em formas populares de representação. Sem pressa em novas montagens, ao longo de dez anos de existência levou à cena 13 espetáculos. Conquistou 63 prêmios. Com Decameron, de Giovanni Boccaccio, destacou-se no circuito profissional. A direção de Arlequino é de Luiz Henrique Palese. O elenco é formado por dez atores.
DivulgaçãoUm Artista da Fome, atração de hoje do Fringe, evento que corre em outra raia
A situação é insólita, mas não impossível. Certo dia um homem descobre que jejuar é um bom negócio. Ou então, um atrativo para as pessoas. Junto vem a notoriedade repentina, torna-se o assunto principal nas conversas, ganha espaços na imprensa. Adulado pela fama, transforma-se em jejuador profissional e faz dessa prática a sua arte.
Mas como a atração imutável da fome acaba cansando a platéia, aos poucos o artista começa a decair com seu espetáculo. O show deixa de existir e - supremo esquecimento - ele vai parar junto das jaulas dos animais de um circo.
O conto pouco conhecido de Franz Kafka, Um Artista da Fome, serviu de base para a montagem que será levada hoje e nos dias 23 e 27, no fosso do Teatro Guaíra. Com direção de Fernando Kinas a peça carrega todas as metáforas possíveis. As leituras ficam ao dispor de cada olhar.
Marisia Bruning e Clóvis Inoce são os dois únicos atores em cena. Eles estarão representando para uma platéia constituída por 40 espectadores. Um pequeno tablado foi instalado no corredor do teatro, que passa debaixo do palco do Guairão, e une a ala da rua Amintas de Barros, com a da Rua Quinze.
A ascensão e queda do artista é contada com pitadas de humor, segundo os realizadores. Assim como entra o humor, entra também a reflexão - seja pelo estranho gosto do ser humano em acompanhar a degradação do seu semelhante, como pela metáfora artística e espiritual. O esquecimento é o abismo que ronda todo aquele que faz da arte seu ganha-pão.
Arlequino, Servidor de Dois Patrões, de Carlo Goldoni, direção de Luiz Henrique Palese. Com Adriane Mottola, Liane Venturella, Letícia Liesenfeld, Kike Barbosa, Evandro Soldatelli e outros. Teatro Ópera de Arame, às 21h30. Ingressos: R$ 17,00.


