''Só quero aplauso e carinho''
Só quero aplauso e carinho
Há duas semanas Emilinha Borba foi fazer um show ao ar livre na Ilha do Governador. Havia 6 mil pessoas na platéia. É comum ser aplaudida por números três vezes maiores que esse. Todo dia 31 de agosto, data de seu aniversário, centenas de fãs aglomeram-se nas igrejas, junto de Emilinha, para uma missa de agradecimento que eles mesmos organizam. No próximo dia 22 a cantora se apresenta na cidade fluminense de Conservatório (onde todas as ruas têm nomes de compositores): três ônibus já foram fretados pelos cariocas.
Meus fãs são como a torcida do Corinthians, diz a artista, referindo-se à fidelidade que os move. Tenho certeza que sou amadíssima pelo meu público. Dele só quero aplauso e carinho. Não é assim que pensa essa legião de fãs. Mantendo uma tradição que vem há décadas, muita gente aproxima-se da artista com presentes. Isso me deixa sem graça; custa dinheiro, e dinheiro está difícil de ganhar, confessa.
Emilinha não remoe tristezas por estar fora dos programas de televisão, muito embora tenha gravado uma participação no programa de Dercy Gonçalves, que será apresentado pelo SBT. Costuma se apresentar religiosamente para os brasileiros que vivem nos Estados Unidos, e na passagem deste ano para 2000 estará em meio a outros artistas movimentando o reveillon da Avenida Atlântica, a convite da TV Globo.
A cantora está completando 60 anos de vida artística, considerando-se Pirulito, de João de Barro e Alberto Ribeiro, seu primeiro disco. Foi lançado em fevereiro de 1939 pela Colúmbia, e ela ainda era Emília Borba, a crooner do Cassino da Urca. Porém no selo constou apenas o nome de Nilton Paz. Foi um grande sucesso carnavalesco.
Alguns anos após emplacaria alguns sucessos como Acapulco, antes do sucesso extraordinário da rumba Escandalosa, gravado em 1947. Porém, desde 1944 era artista da Rádio Nacional, onde ficaria até 1971. Os carnavais do final dos 40 até meados dos 60 tinham sempre alguma música na voz de Emilinha. Pó de Mico, Chiquita Bacana, Tomara que Chova, Tem Barulho no Samba.
Carnaval é a época onde as pessoas esquecem os problemas do dia-a-dia e vão brincar, vão cantar nas ruas. Acho uma pena as gravadoras não regravarem os meus sucessos, afirma. Se tem esse lado de esquecimento, tem também o outro, que é o da lembrança dos fãs. Estou feliz porque a remessa que a Revivendo mandou para cá, vendeu tudo.
Emilinha está sem gravadora e credita a uma pendenga judicial envolvendo a Sony e a Warner, a imposição das portas fechadas. O processo vem de processos antigos contra a CBS e a Continental. Como as empresas foram parar nas mãos da Sony e da Warner, apenas transferiu-se o problema e aumentou a pressão. Nada disso anuvia sua forma de viver. Tem três netos lindos do filho Arthur e a certeza de que São Expedito mais uma vez vai atender a um pedido seu.
Se isso acontecer ou então, quando acontecer a cantora já prometeu a ele: vai distribuir mil santinhos com a imagem do santo. E parar de fumar as cigarrilhas Ivanoff, fabricadas em São Paulo, que os fãs lhe dão às dúzias. (Z.C.L.)





