A poesia contemporânea brasileira é uma solene desconhecida em seu próprio país. Faça o teste e tente lembrar os nomes de cinco autores que você julga importantes. Difícil, não. Como você, a maioria da pessoas não só estacionou na dupla Drummond e Bandeira como ainda é capaz de lamentar-se depois por ter esquecido de citar Vinícius.
A imagem que fica é a de que poetas são velhinhos simpáticos que partiram desta para outra sem deixar herdeiros. É por essas e outras que nomes como Roberto Piva ou Chacal ainda são acolhidos como ‘‘novos’’ pelo público médio tanto quanto os dos garotos Felipe Nepomuceno ou Heitor Ferraz. É justamente essa indistinção que deverá provocar curiosidade daqui há um mês, quando chegarem às livrarias os volumes 26 Poetas Hoje e Esses Poetas - Uma Antologia dos anos 90, ambos organizados pela ensaísta carioca Heloísa Buarque de Hollanda.
São os títulos inaugurais da editora Aeroplano, comandada por ela e por uma equipe de pesquisadores que reúne Lucia Lambert, Rui Campos, Roberto Valente, Sylvia Rosolen e Lula Buarque de Hollanda. A primeira antologia é uma reedição da compilação publicada em 1976 pela Labor e há séculos esgotada. Na época do lançamento, sumarizou as tendências em voga revelando uma nova geração de poetas, rotulada de ‘‘marginal’’ e espremida entre a ressaca da contracultura e o ranger de dentes dos militares.
Arquivo FolhaRodrigo Garcia LopesDos nomes elencados, alguns morreram e só uma minoria pode ser chamada ainda hoje de poeta. Roberto Schwartz, por exemplo, tornou-se um dos mais respeitáveis ensaístas literários e pensadores de esquerda do país. Bernardo Vilhena transferiu seu talento para a música assinando parcerias com Lobão e outros artistas pop cariocas. Alguns sumiram sem deixar rastro, outros partiram para atividades mais rentáveis. E por aí vai.
Além dos autores citados, a antologia inclui Torquato Neto, Roberto Piva, Chacal, Ana Cristina César, Wally Salomão, Antonio Carlos de Brito (Cacaso), Francisco Alvim, Afonso Henriques Neto, Geraldo Carneiro, Leila Miccolis, João Carlos Pádua, Carlos Saldanha, José Carlos Capinam, Zulmira Ribeiro, Vera Pedrosa, Antonio Carlos Secchin, Flávio Aguiar e Luiz Olavo Fontes.
Prova de que essa antologia ainda se mantém como referência, a revista Poesia Sempre serviu um aperitivo aos leitores no ano passado, publicando um encarte com uma seleção parcial dos poemas ali reunidos. Já para leitores iniciados e antenados com que há de mais novo na área, a expectativa está girando em torno do lançamento de Esses Poetas - Uma Antologia dos anos 90.
ReproduçãoJosely Vianna BaptistaEsta sim, se não aponta para o futuro, pelo menos dá uma blitz na produção emergente juntando-se a outros títulos do gênero lançados de um ano para cá como Outras Praias/Other Shores (13 Poetas Brasileiros Emergentes) e Nothing the Sun Could Not Explain (20 Contemporary Brazilian Poets).
Parcial como toda compilação de vasta abrangência, a nova antologia organizada por Heloísa Buarque de Hollanda só coincide com as outras duas na inclusão de dois nomes, Carlito Azevedo e Claudia Roquete-Pinto. De seu elenco, nomes como Rodrigo Garcia Lopes, Josely Vianna Baptista e Antonio Cicero ainda aparecem no primeiro volume enquanto que Nelson Ascher desponta no segundo.
A lista se completa com Augusto Massi, Moacir Amâncio, Italo Moriconi, Heitor Ferraz, Felipe Nepomuceno, Valdo Mota, Paulo Lins, Ricardo Aleixo, Alberto Martins, Aníbal Crislobo, Eucanaã Ferraz, Guilherme Zarvos, Lu Menezes, Marco Antonio Saraiva e Vivian Kogut. As duas antologias chegam ao público no final de novembro.

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