SÓ PARA PAPEAR
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de julho de 1997
Agência Estado 
Aruba é dividida em sete distritos, cada um com uma igreja e uma escola. O maior e capital do país é Oranjestad. Lá fica o centro mais americanizado da ilha, com os shoppings, boates e lojas duty free. Tudo com uma arquitetura que tenta lembrar as casas de Amsterdã, mas se parece mesmo é com as grandes construções em rosa e azul claro de Miami Beach.
Uma das maiores atrações do centro, que é um dos fatores do sucesso de Aruba para o turismo, são os seus cassinos. São 11 no total, a maioria nos grandes hotéis, espalhados entre Oranjestad e Palm Beach. Quase todos funcionam durante todo o dia, com apostas que atingem milhares de dólares.
O segundo maior distrito é San Nicolas, totalmente diferente de Oranjestad. Os tons pastel das contruções e dos turistas da capital, do lado oeste da ilha, dá lugar ao bege e verde-cinza do restante do território, que é desértico. San Nicolas é o distrito mais populoso da parte desértica da ilha, e é onde moram os arubenhos. Quem se cansar da artificialidade dos shoppings em Oranjestad pode ver paisagens mais autênticas da ilha. Não pense em encontrar por lá hotéis luxuosos ou grandes restaurantes. Em San Nicolas podem ser vistas pequenas casas, que servem a comida local, e é possível ouvir o papiamento, o idioma mais falado na ilha.
Cactos e divi-divi Papiamento vem do espanhol papear, e é o idioma nacional de Aruba. É uma mistura de espanhol (inicialmente, a ilha foi colonizada por espanhóis e hoje recebe muitos imigrantes da América do Sul), africano (dos escravos que foram trabalhar para os espanhóis), holandês (que, afinal de contas, é o idioma oficial), inglês (a língua do turismo) e o idioma falado pelos índios arawak, que viviam na ilha antes das colonizações européias. Com tanta mistura, idioma não é problema para os visitantes: fala-se tudo e entende-se tudo, até mesmo português.
O papiamento é compreensível. Em San Nicolas, ao entrar em um restaurante, o turista provavelmente vai ouvir um bon bini (bem-vindo) ou bon dia. Quando o garçom trouxer o prato, ensaie falar um masha danki, o muito obrigado local. Na hora de ir embora, arrisque um ayô - tchau em papiamento.
Passeando pelo lado desértico da ilha - provavelmente a bordo de um carro ou um jipe alugado, pois os táxis e ônibus não costumam ir até lá -, não deixe de passar nas Praias Rodgers e Baby Beach. Pequenas e rodeadas de pedras e corais, têm areia impressionantemente clara e águas transparentes. E não têm turistas. Para uma vista geral da região, vale uma visita ao Farol de Seroe Colorado Lighthouse. Não tem a infra-estrutura do California Lighthouse - no outro extremo da ilha, ao lado de um ótimo restaurante italiano -, mas oferece uma vista igualmente linda: ondas fortes do mar aberto batendo nos paredões rochosos do litoral sem praia, cuja única vegetação são os cactos e a divi-divi, uma árvore característica do Caribe que tem toda a copa virada para um lado só, como se tivesse sido penteada pelos ventos fortes da ilha.
Na Costa Norte não há praias, todo o litoral é feito de pedras. Mas há dois pontos a serem vistos: a Ponte Natural, uma formação rochosa que funciona como uma ponte, e as piscinas naturais, formadas com a água do mar.


