SÓ BLUES - Peter Green
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de março de 2004
Kiko Jozzolino<br> Especial para Folha 2 
Nascido em 29 de outubro de 46, em Londres, Peter Allan Greenbaum, fundador do Fleetwood Mac, Peter Green foi um dos nomes mais importantes na explosão do blues britânico dos anos 60. Poucos guitarristas daquela geração igualavam-se a ele em técnica e na fidelidade ao som dos mestres americanos. Mas, como muitos desses, ele também sucumbiu à maldição do blues, passando do sucesso à desgraça em poucos anos no seu caso, devido às drogas e a esquizofrenia. Só recentemente, com a formação do Splinter Group, ele começou a retomar a carreira.
Green começou a tocar profissionalmente em meados dos anos 60, em grupos como Peter B's Looners e Shotgun Express (onde foi parceiro do então também obscuro Rod Stewart). Projetou-se em 66 ao substituir Eric Clapton nos Bluesbrakers de John Mayall, com quem gravou o disco ''A Hard Road''. No ano seguinte, Green e o restante da banda (o baixista John McVie e o baterista Mick Fleetwood) deixaram Mayall para formar o Fleetwood Mac, agregando o guitarrista Jeremy Spencer. Em poucos meses o grupo atingiu um sucesso estrondoso, rivalizando com Beatles e Stones. Green revelou-se um compositor inspirado, com hits como ''Black Magic Woman'' (imortalizado por Carlos Santana), ''Albatross'', ''Supernatural'' e ''Watch Out''. São dessa época os melhores discos da banda, como ''Fleetwood Mac'', ''Mr. Wonderful'' e ''Blues Jam at Chess'' nada a ver com o rock comercial que o grupo faria nos anos 70.
Mas o envolvimento do guitarrista com drogas (particularmente LSD) e seitas religiosas, além de seus problemas psiquiátricos, levaram-no a deixar a banda em 70. Depois de um álbum solo, abandonou a carreira para viver recluso. Ao longo de duas décadas e meia foi internado várias vezes em manicômios e chegou a passar um tempo na cadeia. No final dos anos 70 e início dos 80 ainda tentou uma volta com discos inexpressivos, sem êxito.
Foi só em 94 que um velho amigo, o guitarrista Nigel Watson, o convenceu a formar um novo grupo. Depois de tanto tempo inativo, Green teve praticamente que reaprender a tocar, praticando intensivamente o repertório de Robert Johnson.
Em 96 surgiu o Splinter Group, com Watson, Cozy Powell (bateria, ex-Jeff Beck Group, Emerson, Lake & Powell e Whitesnake), Neil Murray (baixo, ex-Whitesnake) e Spike Edney (teclados). O quinteto fez uma turnê européia e lançou em 97 o CD Splinter Group. No ano seguinte Green excursionou pelos Estados Unidos e tocou com Santana. Vários discos sucederam-se desde então, com ou sem o Splinter, com destaque para ''Hot Foot Powder'' (com participação de Buddy Guy, Otis Rush e Dr. John), ''The Robert Johnson Songbook'' e ''Time Traders''.
Em 98 ele foi incluído no Rock'n'Roll Hall of Fame, e no mesmo ano tornou-se o primeiro guitarrista britânico a receber o maior prêmio do blues, o W.C. Handy Award. CDs Recomendados: ''A Hard Road'' (com John Mayall's Bluesbrakers), ''Fleetwood Mac'' (com o Fleetwood Mac), ''Splinter Group'' e ''The Robert Johnson Songbook''.
Kiko Jozzolino é guitarrista de blues e colaborador da Folha.
[email protected]


