Rio - A proporção de hotéis que contam com mão-de-obra qualificada no Brasil é de apenas 18%, segundo o primeiro Censo da Hotelaria Nacional, realizado pela ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), pelo Sebrae e pela Editora Abril. A necessidade de melhorar o treinamento de funcionários, em especial em pequenos hotéis e pousadas, é apenas um dos indicativos da pesquisa, que traça um retrato da hotelaria nacional.
A única exceção no cenário de funcionários não especializados é São Paulo, que trabalha principalmente com o turismo de negócios. Em mais de 80% dos hotéis da cidade é possível encontrar funcionários treinados.
Segundo o presidente da ABIH, Eraldo Alves da Cruz, o resultado foi influenciado pelo grande número de pequenos estabelecimentos (69%) que costumam empregar parentes e amigos e das iniciativas 'amadoras' de abertura do próprio negócio. ''O problema é que muita gente realiza o sonho de ter sua própria pousada, mas será que esse pessoal estava pronto para assumir o negócio?''
A pesquisa visitou 7.003 hotéis e pousadas no país. ''É mais do que uma amostragem, é um universo extremamente respeitável se considerarmos que o país tem no total cerca de 18 mil hotéis e pousadas'', afirmou Cruz. Segundo ele, os resultados são consistentes com as pesquisas realizadas pela Embratur com os turistas. ''A primeira reclamação do turista é sobre a sinalização dos pontos turísticos e a segunda, sobre os serviços. Os resultados mostram que ainda há muito a ser feito'', disse. Entre os pontos positivos, o presidente da associação destaca o percentual de funcionários fluentes em inglês, de 19%, e em espanhol, de 12%.
Entre os 50 primeiros itens analisados na pesquisa, os que têm maior presença no país são lavanderia (63%), piso frio nos aposentos (60%), chuveiro com aquecimento central (45%), funcionários uniformizados (44%), chuveiro elétrico (41%), box blindex (34%), colchão de molas (28%) e room service (27%).
Os itens que apresentaram menor disponibilidade foram canal de vídeo (1,8%), camareira 24 horas (1,6%), academia (1,4%), travesseiro para alérgicos (0,4%), restaurante 24 horas (0,3%) e check-in aéreo (0,1%).
Entre os aspectos que precisam sofrer melhorias, Cruz destaca o baixo percentual, de apenas 2%, dos hotéis que contam com banda larga. ''Entre os 6 milhões de brasileiros que viajam, a maioria desse público é internauta'', disse. O valor médio da diária no país é de R$ 188.
Segundo Cruz, a pesquisa identificou oportunidades de negócio no Nordeste e no interior de São Paulo, principalmente com municípios que dispõem apenas de acomodação simples e que poderiam ter o número de turistas elevado caso se instalasse um hotel de ''grife''. ''Uma cidade como Teresina não tem nenhum hotel de grife, tem ocupação equilibrada, mas poderia chamar a atenção com a instalação de um novo empreendimento e ajudar a vender este destino'', disse.

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