Uma mistura inusitada de funk e rock pesado com suingue black e metais que lembram as trilhas dos anos 70 trouxe o músico carioca Skowa novamente à Curitiba. Ele está produzindo o primeiro álbum da banda Pogoboll, ‘‘Na Cabeça’’, que deverá ser lançado em julho. ‘‘Em Curitiba, ninguém faz um trabalho tão original quanto eles’’, elogia Skowa.
Ele comenta que o uso intensificado das guitarras, dando mais peso ao som, é uma característica própria das bandas curitibanas. ‘‘É bem diferente de São Paulo’’, compara. ‘‘Por isso, Curitiba é conhecida como a Seattle brasileira’’, comenta, referindo-se à capital americana das bandas de rock pesado. Outra observação que faz ao som produzido em Curitiba é a inexpressiva influência black. ‘‘O Pogoboll inova por isso’’, finaliza.
Skowa, 44 anos de idade e 25 anos de música black, conta que no início de sua carreira se inspirou em Jimmy Hendrix. Além de protagonizar a banda Skowa e a Máfia, que entre 1987 e 1991 fez centenas de shows pelo Brasil, ele produziu vários discos, entre eles o ‘‘Música Para Tocar em Elevador’’, de Jorge Ben Jor.
Com a bem humorada banda Grêmio Recreativo Amigos do Samba, Rock, Funk e Soul, montada por Skowa no início desta década, ele acompanhou músicos como Ed Motta e Jorge Ben Jor. ‘‘A proposta desta banda era só juntar amigos e se divertir’’, lembra.
Em Curitiba, cidade onde se apresentou diversas vezes com suas bandas, é a primeira vez que Skowa produz um disco. ‘‘Eles me chamaram porque gosto de música pesada’’, explica. Na verdade, ele foi chamado pela gravadora Universal, através do selo Jingle, que assina o primeiro disco do Pogoboll.
‘‘Este já era um projeto antigo, mas ficou um ano parado por causa da crise econômica’’, conta. Ele elogia a mistura inusitada que conseguiu extrair do CD, que já está praticamente todo gravado e será finalizado em São Paulo. ‘‘Eles fizeram algo como juntar o grupo Faith No More com as guitarras da banda de Tim Maia’’, afirma. ‘‘É complicado de entender, mas o resultado ficou perfeito, nada artificial’’, conta.
Para quem já está com saudades de assistir às apresentações de Skowa, ele dá a boa notícia de que está voltando aos palcos, com a possibilidade de lançar um disco em breve. Ele conta que não chegou a sumir do meio musical, apenas deu um tempo, ‘‘pois estava cansado dos palcos’’.
Sem nunca ter interrompido o seu circuito alternativo de ‘‘canjas’’ em bares, ele antecipa que agora está montando uma nova banda, ‘‘pra valer’’. Skowa conta que foi um caminho natural, que o próprio público exigiu. ‘‘Havia sempre aquela expectativa sobre quando o urso ia sair da toca novamente para tocar, por isso, acabei chamando alguns amigos, inclusive alguns ex-integrantes do Skowa e a Máfia, e vamos voltar com um cronograma oficial de shows’’, conta.
A nova banda, que ainda não tem nome, irá estrear em junho. A diferença das formações anteriores, segundo ele, é que desta vez não haverá tanta preocupação com detalhes do show, como iluminação e coreografias. ‘‘Acho que as apresentações serão mais naturais e espontâneas’’.
Além da formação da banda, Skowa tem se dedicado ao seu disco. ‘‘Já tenho 40 composições começadas, daí sairão umas oito para o CD’’, comenta. Sem pressa, ele une canções inéditas com parcerias que fez com outros artistas, selecionando o que fará parte do disco. O lançamento está previsto para o final do ano. ‘‘Talvez eu lance em dezembro, para concorrer com o Roberto Carlos’’, brinca Skowa.Mauro FrassonO músico e produtor Skowa junto à banda Pogoboll, que está lançando o primeiro CD, chamado ‘‘Na Cabeça’’Simone Mattos

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