O skatista Rafael Hortencci, o Chakra, começa a mostrar seus trabalhos artísticos na cidade em um dos locais que se firma como reduto do movimento
O skatista Rafael Hortencci, o Chakra, começa a mostrar seus trabalhos artísticos na cidade em um dos locais que se firma como reduto do movimento



As primeiras manifestações do skateboarding datam do final da década 50, nos Estados Unidos. De lá para cá, junto com evolução do material das pranchas e sua popularização, a prática do skate estendeu-se para outros âmbitos da vida urbana, transformando-se num verdadeiro movimento de expressão cultural. Tanto que, hoje, este universo vai muito além das manobras e estilo: o esporte (que, inclusive, terá sua primeira edição nas Olimpíadas de Tóquio em 2020) também possui sua própria arte, música, poesia. Não é preciso, portanto, ser nenhuma fera da modalidade radical para compartilhar desse modo de vida que, de marginal, não tem mais nada.

O paulistano André Firmino trouxe a exposição ‘Barreiras’ ao Londrina Skate Park
O paulistano André Firmino trouxe a exposição ‘Barreiras’ ao Londrina Skate Park | Foto: Fotos: Ricardo Chicarelli



Com fortes influências do movimento hip hop - que reúne a dança (breaking), música (DJ e rap) e arte (grafite) - , o mundo do skate ganhou identidade própria dentro da arte urbana. Há quem defenda que, o skatista expressa-se de uma forma criativa, rebelde e original. Um desses exemplos é o desenhista e skatista Rafael Hortencci, o Chakra, há 4 anos em Londrina. Amante do esporte desde a adolescência, começa a mostrar seus trabalhos como artista na cidade em um dos locais que se firma como reduto do movimento, a Pista de Londrina Skate Park - LSP(rua Pará, 326) que, além do espaço de rampas, dispõe de uma pequena galeria, onde também ocorrem discotecagens, apresentações de bandas, exposições e atividades culturais.

As lixas de skate também estão sendo customizadas
As lixas de skate também estão sendo customizadas | Foto: Divulgação



Para ele, não há limites da criatividade e tudo vira material em potencial, principalmente os recicláveis como papelão, placas, madeira e até mesmo tinta de parede. Dentre as várias criações, uma das que mais chamam a atenção é o seu trabalho em lixas d'água, material que fica colado na superfície da prancha para dar aderência aos pés. "Não possuo um estilo, traço ou técnica específica. Dou vida ao que vem na minha imaginação, destacando elementos da natureza e, claro, do skate. Para isso, uso o material que tenho em mãos no momento, como caneta de grifar, pregos, placas, tintas variadas, cartazes e banners. Tudo é válido e vira arte ou, no mínimo, uma ferramenta", conta ele, que ministra oficinas, dentre elas, de customização de lixas para skate.

Recentemente, as obras expostas de Chackra deram lugar aos trabalhos do paulistano André Firmino, artista plástico graduado em Educação Artística com ênfase em Artes Plásticas, grafiteiro, pintor, escultor e ilustrador. Ele, que desenvolve uma linguagem artística autoral profissionalmente desde 2007, veio à Londrina a convite da coordenação da LSP para mostrar suas obras da exposição "Barreiras" e trocar de informações com os artistas locais. Em seus trabalhos, Firmino sugere temas ligados aos conflitos existenciais e sociais da vida contemporânea nas grandes cidades, discutindo classe, gênero, raça, mostrados em diferentes suportes e técnicas como nankin, xilogravura, grafite, tinta a óleo. "Uso a metáfora da figura humana em meus trabalhos".

O skatista e construtor de pistas em madeira, Ricardo Santos, ministra oficina de rampas para pais e crianças que vivenciam um movimento que é também cultural
O skatista e construtor de pistas em madeira, Ricardo Santos, ministra oficina de rampas para pais e crianças que vivenciam um movimento que é também cultural



Ele conta que, como artista do movimento do skate, já atuou em várias frentes – da ilustração (roupas, acessórios, marcas) a intervenção de espaços públicos, das telas de pintura a transformação de jovens em projetos sociais. "Hoje, me dedico mais como educador na Fundação Casa (Centro de Atendimento Educativo ao Adolescente), voltado para o atendimento de adolescentes autores de atos infracionais. O artista precisa ter uma projeção em alguns caminhos para seguir e, assim, fazer história para chegar nas pessoas", diz ele, que também já participou das pinturas do projeto "Revivarte" que revitaliza espaço urbano por meio da arte em São Paulo. Durante sua passagem pela LSP, realizou dois trabalhos nas paredes do local.

Imagem ilustrativa da imagem Skate com arte



DIA DAS MENINAS - Aos poucos, a LSP vem atraído um público carente de atividades ligadas ao skate e, também, conquistado uma nova geração. Quem está à frente da coordenação é o skatista e construtor de pistas em madeira, Ricardo Santos, que ministra oficina de rampas para crianças e pais e organiza eventos e exposições no espaço. "O espaço é muito grande e permite várias ações ligadas ao skate que vão além da prática em si. Estamos fomentando, novamente, uma cena que já foi forte no Brasil e em Londrina com um ambiente que reúne música, arte e gastronomia permitindo a interação entre os amigos, pais e filhos", resume. Às quartas-feiras à noite, o espaço promove discotecagem ao lado da galeria e, em breve, deve oferecer o "Dia das Meninas", com programação realizada exclusivamente por mulheres.

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