Sites exibidores de filmes estimulam novos cineastas
Everyone are directors (todos são diretores). É este o lema dos sites que apresentam filmes na web. A sentença é o slogan da Eveo, empresa americana de distribuição de curtas-metragens via internet. Nos últimos dois anos, o número de homepages especializadas na exibição de filmes cresceu consideravelmente. Os sites undergrounddfilms, dfilm, greendogfilms, atomfilms, bipix, curtabrasil, e-movies, eveo, feitoamao e ifilm são as principais páginas da rede que disponibilizam ao internauta um razoável menu de películas. Algumas dessas empresas (Atom, Ifilm e Eveo) distribuem os filmes também para as TVs a cabo, exibição em cinema, aviões e festas.
Para conquistar e manter um certo número de acessos, esses sites precisam cada vez mais de bons filmes. E para sorte dos novos realizadores, eles procuram conteúdo na produção independente e nos novos talentos. A Eveo, por exemplo, oferece ao realizador um adiantamento de US$ 100 para um contrato não exclusivo de seis meses, que pode ser prorrogado automaticamente, caso o cineasta se interesse. O filme A Little Betrayal, uma ficção de menos de quatro minutos, rendeu ao autor US$ 1 mil, pois foi visto mais de 25 mil vezes.
O site ifilm.com também se interessa em apoiar curtas que não vão passar necessariamente na internet. Os organizadores do site até dão um recado de esperança aos jovens diretores: Hollywood está assistindo seu filme aqui (sic), na Ifilms. No Brasil, o portal globo.com hospeda a página dos irmãos Mainardi, Diogo e Vinícius, que oferece o primeiro episódio de Kama Sutra (animação com massinha) e os bastidores de Mater Dei, o novo longa da dupla. Na sessão Filme Conosco, a bipix promete produzir os melhores projetos, cedendo equipamento e consultoria técnica em troca da metade da renda gerada com publicidade.
A Synapse, distribuidora que atua há dez anos no mercado internacional de curtas e documentários, já garantiu a exibição de 230 curtas brasileiros por emissoras de TV na Europa, Canadá e Austrália. Agora eles pretendem se firmar na internet. No último dia 7 de abril, eles licenciaram o curta Barbosa, de Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo, para o portal UOL. Ao longo de uma semana, mais de 27 mil pessoas solicitaram o stream do vídeo para assistir. Ou seja, um excelente resultado. A empresa já selecionou 108 curtas para a exibição na Internet e está em busca de novos trabalhos.
A única ressalva que se deve fazer à comercialização de filmes na internet se refere ao contrato firmado entre o site e o cineasta. Segundo alguns especialistas do mercado, não se recomenda firmar contratos que exigem exclusividade mundial ao oferecer adiantamentos sobre receitas futuras entre US$ 300 e US$ 500. Uma cuidadosa leitura do contrato revela que o adiantamento levará muitos anos para ser quitado, impossibilitando o realizador de dar outros caminhos a sua obra. (R.S.G.)





