Site na Internet garantiu sucesso de "A Bruxa de Blair" nos EUA; o filme estréia amanhã no Brasil
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quarta-feira, 29 de setembro de 1999
Por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 30 (AE) - Não é um filme, é um fenômeno e como tal deve ser analisado. "A Bruxa de Blair" estréia amanhã (01) em 190 cinemas brasileiros. Nada mau para uma produção de US$ 35 mil que arrebentou nas bilheterias dos Estados Unidos, faturando US$ 135 milhões só no mercado americano. O que torna "A Bruxa de Blair" um fenômeno maior ainda é o fato de que o estúdio (a Warner), que pagou US$ 1,1 milhão pelo filme pronto, quase não investiu em propaganda. O marketing do filme foi todo feito via Internet. O filme foi descoberto pelos internautas e, a partir daí, virou um sucesso.
Como filme de terror é um blefe. Qualquer "Pânico" é mais divertido. "A Bruxa de Blair" é mais enervante do que assustador. Mas proporciona, e aí fica mais interessante, uma discussão sobre os limites entre realidade e ficção no cinema. Como todo filme nos últimos tempos, "A Bruxa de Blair" ganhou um site na Internet. Esse site tratava o assunto como real. É a história de dois rapazes e uma garota que resolvem fazer um filme sobre uma entidade maligna que habitaria as florestas de Maryland.
Armados de uma câmera, eles se embrenham na floresta em busca da bruxa de Blair, misteriosa criatura que estaria por trás de uma série de assassinatos de crianças no passado. O trio se perde, começam a acontecer coisas estranhas. Tudo isso é precedido por um letreiro que diz que os três cineastas perderam-se na floresta e nunca mais foram encontrados. O que foi encontrado, um ano depois, foi o material que eles rodaram. Esse material é o filme de Daniel Myrick e Eduardo Sánchez.
O site americano do filme contava essa história e vendia a idéia de que o material filmado é real. Trata-se, é claro, de uma ficção, mas vendida como coisa verdadeira. Estabelecida a confusão na cabeça do público, "A Bruxa de Blair" disparou na bilheteria. Na origem do filme está, obviamente, a fascinação macabra exercida pelos snuff movies, em que crimes são cometidos frente às câmeras para satisfação dos espectadores. É o que não deixa de ocorrer na esperta estrutura narrativa de "A Bruxa de Blair".
O filme dentro do filme, ou o documentário fictício que é o filme real, é uma produção amadorística, com imagens desfocadas e cortes toscos. Essa ausência de técnica, assumida como a técnica do filme, é um dos fatores que contribuem para o enervamento. Curioso é constatar que o tema verdadeiro do filme, um tema tradicional em Hollywood, é a desintegração do grupo. Há até uma citação explícita a "Amargo Pesadelo" (Deliverance), de John Boorman. Perdido na floresta, o grupo se desintegra. Assusta-se com o que não vê ou com o que é sugerido.
Há informações de que os diretores deixaram os atores sozinhos e os aterrorizavam para criar o clima de terror que aparece na tela. Os atores foram manipulados. O espectador, também. Não é arte, não assusta, mas faz de "A Bruxa de Blair" um fenômeno.


