SÍRIA, a rota do viajante
Saulo, coletor de impostos do Império Romano, andava por uma estrada quando foi ofuscado por uma luz forte. Assustado, não reconheceu a voz que lhe fazia uma insistente pergunta: Saulo, porque me persegues?. O fim da história quase todos conhecem. Saulo mudou de nome depois que reconheceu a voz. Ele virou Paulo, um dos apóstolos, o caminheiro. Paulo viajava com um grupo de soldados pela estrada que leva a Damasco, a capital da República Árabe da Síria, um dos países do Oriente Médio, região do chamado Crescente Fértil. É difícil precisar onde fica a estrada, mas provavelmente fica a sudoeste de Damasco, no rumo de onde hoje está Israel.
É da Síria que vieram muitos dos árabes para o Brasil. Chamados equivocadamente pelos brasileiros de turcos, os sírios gostam que se coloque essa história em pratos limpos. Ao desembarcar no Brasil, quase sempre em busca de melhores condições de vida, os sírios traziam passaportes com o selo do império turco-otomano, que dominou aquela região até a 1ª Guerra Mundial. Daí a confusão. Eles foram dominados pelos turcos, mas são sírios. E sírios, eles gostam que se diga, são árabes, linguística e culturalmente falando.
Por estar de frente para o Mar Mediterrâneo, a Síria sempre foi elo de culturas. Por ali passaram os babilônios, os egípcios, os hititas, assírios, persas e tantos outros. Os fenícios, povos que também habitaram o vizinho Líbano, deixaram de herança o tino comercial. Ninguém bate os sírios-libaneses na habilidade de negociar.
Uma viagem à Síria é interessante não apenas para os descendentes, que querem fazer o caminho de volta. Ir à Síria é conhecer um país com aspectos geográficos dos mais diversos. Como em uma mala de mascate, lá também tem de tudo. Deserto, colinas, bosques verdejantes e as praias mediterrâneas. Sobre as praias é preciso cuidar do decoro na hora de entrar no mar. O turista, aliás, as mulheres devem se precaver na escolha dos trajes de banho. Apesar de ser um país aberto ao turismo, ninguém deve se esquecer de que a Síria tem religião muçulmana e, por essa razão, recomenda-se comedimento no trajar.
Voltando à estrada chegamos a Damasco, tida como a capital mais antiga do mundo. O nome, por si só, é um doce. E como que adocicados os turistas caminham pelas ruas antiquíssimas, aguardando uma surpresa que pode sair dos caravançarais. Esses, que são abrigos para os viajantes, são notáveis. Decorados com arabescos, treliças e luminárias, os caravançarais atiçam o mistério que envolve Damasco. A cidade tem inúmeros locais de visitas. O centro velho é charmoso, com construções típicas da cultura árabe. A grande mesquita dos Omíadas, construída em 705, foi a primeira grande realização arquitetônica do islã, de notável influência sobre a arte muçulmana.





