Há tempos não aparecia um disco como ‘‘Kiss my Arp’’ (Roadrunner) nas lojas. É o trabalho de estréia da DJ e violoncelista norte-americana Andrea Parker, cujas texturas e atmosferas remetem aos lançamentos do extinto selo paulistano Cri du Chat.
Cri du Chat desbravou a cena eletrônica no país. Foi no começo da década, quando apenas os visionários antecipavam a onda techno que viria a sacudir a música jovem posteriormente. Os artistas nacionais e internacionais de seu catálogo mesclavam vestígios da vertente industrial e do pop etéreo revelando ainda um incipiente apelo para as pistas de dança.
O tom sombrio parecia predominar nos discos. É o que se ouve também em ‘‘Kiss My Arp’’ (Roadrunner), que inclui três faixas instrumentais e nove composições cantadas, a maioria em parceria com o produtor e engenheiro de som David Morley. Andrea é uma colecionadora de discos de efeitos sonoros e sintetizadores antigos, dos quais extrai samples para suas peças góticas.
Chegou a gravar com a Orquestra Filarmônica de Londres. Faz música anti-rave. Seu cello em ‘‘Clutching At Straws’’ e ‘‘Sneeze’’ evoca cenas de filmes de terror. Em ‘‘Elementos of Style’’, lembra o trip hop de Massive Attack. Apesar de ser desconhecida por aqui, a moça atua há pelo menos uma década na cena eletrônica. Além dos projetos-solo, Andrea é uma requisitada produtora de remixes tendo já trabalhado para Ryuchi Sakamoto, The Orb, Steve Reich e Depeche Mode. ‘‘Kiss my Arp’’ é seu sinistro cartão-de-visitas.

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