O concerto de amanhã da Orquestra Sinfônica do Paraná, no Guairão, em Curitiba, tem seu lado naturalmente profissional e um lado que se pode chamar de afetivo: o maestro Roberto Duarte, que com frequência vinha regendo o corpo sinfônico, agora passa a ser seu titular e diretor musical; e o violinista Roney Marczak, que aos 16 anos fez solo com a orquestra, com uma peça de Max Bruch, volta a se apresentar dez anos depois.
O programa traz o ‘‘Concerto para Violino e Orquestra’’, opus 64, de Mendelssohn, com o solista Roney Marczak e a Sinfonia em Ré Menor, de Cesar Franck. A sessão começa às 10 horas, com entrada franca.
Roberto Duarte assume oficialmente a OSP (denominação institucionalizada pelo Teatro Guaíra em substituição a Osinpa) com conhecimento de causa. Ele sabe dos baixos salários, da evasão dos músicos e outros problemas correlatos, mas em contrapartida diz que nenhum obstáculo é intransponível. ‘‘Sou otimista, sem perder de vista a realidade.’’
Por apostar na qualidade da sinfônica é que aceitou o cargo. ‘‘Esta é uma orquestra que tem músicos de talento’’, avalia. ‘‘A longo prazo pretendo transformá-la em cartão de visita da cidade.’’ Para que isso aconteça deverá ‘‘alargar os horizontes’’ com viagens, gravações, apresentações pelo interior do Estado e, futuramente, em outras capitais.
Roberto Duarte argumenta que a Orquestra Sinfônica do Paraná ‘‘tem material que pode ser trabalhado e chegar a altíssimo grau. Tudo isso é possível, depende somente de uma única palavra: trabalho, no sentido mais amplo da palavra’’, enfatiza.
Daqui a um mês ela completa 14 anos. Já deu para criar história, e como o maestro não tem os defeitos dos políticos, não nega aquilo que foi construído pelos antecessores Alceo Bocchino e Osvaldo Colarusso. ‘‘Ambos contribuíram para o desenvolvimento da orquestra e, consequentemente, da cultura. Eles colocaram pedras na construção do castelo que é a OSP. Vou colocar as minhas’’, afirma.
Já está colocando. Até agosto a programação está fechada; no momento acerta detalhes finais para concluir a temporada até o final do ano. Ao mesmo tempo pensa em como será a temporada de 2000. De agosto para a frente ‘‘terá coisas muito interessantes para acontecer. Só não posso divulgar porque faltam uns últimos acertos’’.
A informação divulgável: a OSP foi convidada para apresentar-se na 13ª Bienal de Música Contemporânea, no Rio de Janeiro. A data não foi fixada, mas será no Teatro Municipal. O convite para esse concerto partiu do presidente da Funarte, Márcio Souza, e da coordenadora de música do órgão, Cirley de Holanda.
As apresentações em Curitiba deverão ser realizadas em dois auditórios nobres: Guairão e Canal da Música, além dos parques. Aliás, o Canal da Música é ‘‘excepcional’’, na opinião do maestro. ‘‘Foi uma idéia genial do governador Jaime Lerner. Posso afirmar isso sem confete político.’’ O último concerto da sinfônica foi lá e o auditório estava lotado. ‘‘O público já sabe que esse espaço existe. Precisa ser mais e mais usado; que é bom para todos nós.’’
Em maio a orquestra acompanhará o Ballet Teatro Guaíra, na temporada de 7 a 9; no dia 16 haverá um ‘‘concerto diferente’’, sob a regência de Afrânio Lacerda - só participarão sopros. Assim como haverá um só de cordas. ‘‘Isso promove os músicos e o estudo da orquestra’’, acredita Duarte. O final do mês estará reservado para o concerto de aniversário, com a direção de Alceo Bocchino.
A Orquestra Sinfônica do Paraná, que tem um LP gravado, entrará em estúdio, em junho, para registrar em CD um repertório feito somente com música brasileira. Em julho tem o Festival de Música de Londrina, e apresentações em cidades próximas. Quatro concertos acontecerão em agosto, em Curitiba.
Um recado para quem imagina que Roberto Duarte acompanhará a orquestra dia-a-dia: ele não fará isso. ‘‘A minha função aqui não é a de reger todos os concertos. A idéia do regente titular não é ser dono da orquestra, é orientar’’, comenta ele. Além de salutar aos músicos a troca de maestros, Roberto Duarte mantém intensa carreira internacional. ‘‘O que quero é trazer minha experiência acumulada em 33 anos para dividir com a OSP’’, afirma.Arquivo Folha e DivulgaçãoO maestro Roberto Duarte (abaixo) assume a direção da Orquestra Sinfônica do Paraná que faz concerto amanhã, no GuairãoZeca Corrêa Leite

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