São Paulo, 01 (AE) - Se Verdi pode, por que não o nosso Carlos Gomes? Com a Orquestra Sinfônica Brasileira, regida por Yeruham Scharovsky, eis que o criador de "O Guarani" ganha a sua melhor coletânea de aberturas e prelúdios de óperas. De "Salvator Rosa" a "Fosca", passando por "Maria Tudor", "A Noite do Castelo" e até mesmo a nunca antes gravada abertura de "Joana de Flandres", o novo disco da OSB é um bom exemplo de como o compositor ainda espera por grandes intérpretes e precisa deles com urgência.
Como o maestro argentino, que estudou em Israel e assumiu a orquestra no ano passado, trazendo esperança aos desiludidos músicos desse que já foi o melhor grupo de música do País. Abandonada pelo Estado, que nem sequer paga o salários da orquestra em dia ou lhes dá uma sede, a OSB mostra, nesse CD, que está mais do que nunca viva e em perfeita forma. "É um bom momento para que as autoridades brasileiras tomem uma atitude definitiva em favor do maior conjunto sinfônico do País", avisa Scharovsky e ele merece ser ouvido.
Isso demonstra o CD de Gomes: fraseados bem torneados, clareza harmônica (que permite perceber o orquestrador, em geral oculto pela leitura de banda de muitos maestros), sofisticação interpretativa, dramaticidade na medida, sem excesso (alguns parecem regê-lo como se fosse o hino nacional). Em suma, uma visão equilibrada do compositor, colocado no seu devido lugar, ao lado de outros operistas. "Ele tem um estilo próximo de Puccini e Verdi, mas suas obras antecedem a dos dois, que ele influenciou", analisa o maestro. O disco inicialmente será distribuído em escolas de música. (C.H.)

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