Síndica ganha destaque em 'Toma Lá Dá Cá'
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segunda-feira, 25 de maio de 2009
Mariana Poli<br> Folhapress 
Desde sua estreia na Globo, em 2007, o seriado ''Toma Lá Dá Cá'' já emplacou bordões, como ''É mara!'' e ''Prefiro não comentar'', e personagens, como a amalucada Copélia (Arlete Salles) e o afeminado Ladir (Ítalo Rossi), que deixou a atração no final de 2008. Neste ano, é Álvara, a síndica mão de ferro do edifício Jambalaya, quem ganha destaque na série de Miguel Falabella.
Desde a primeira temporada do programa, a personagem, interpretada pela atriz Stella Miranda, parece ter encontrado o seu tom. Intrometida, inconveniente e dona de uma risada estridente e inconfundível, ela está ainda pior. E tem um motivo. O marido, seu Ladir, por quem ela era estranhamente apaixonada, foi embora de casa e a abandonou. Carente, a burlesca ditadora perdeu a linha, chegando a dar sinais até de que viraria lésbica. ''Álvara não é sexual feito a Copélia. Ela apenas mudou de temperamento, está mais brava, mais violenta'', diz Stella, que defende sua personagem. ''Apesar de ser uma monstra, ela está sofrendo, o que a torna humana. Acho que o público entende isso e acaba gostando dela'', teoriza a atriz.
Uma prova de que a personagem cresceu em cena é que, a partir de hoje, ela ganhará um cenário para chamar de seu. ''A cobertura dela no edifício Jambalaya passará a ser mostrada no programa. Já gravei as primeiras cenas no cenário, mas não posso contar como é para não estragar a surpresa'', diverte-se Stella.
A atriz conta que, apesar de já ter sido síndica, 15 anos atrás, sua inspiração para construir a personagem vem do mundo ''devasso'' dos políticos. ''Assim como eles, que usam o Estado como se fosse propriedade privada, Álvara pensa que o Jambalaya é dela. Existe essa falta de noção entre o público e o privado'', diz. Questionada sobre em quem se inspira, ela desconversa, bem-humorada. ''Acho melhor não dar nomes aos bois.''
Amiga de Miguel Falabella há mais de 20 anos - ''eu o conheço dos tempos em que ainda era pobre''-, Stella, que tem uma sólida carreira no teatro, foi chamada por ele para fazer parte do elenco da série. ''O texto do Miguel é politicamente incorreto e brilhante. O ''Toma Lá Dá Cá' é quase um ''Simpsons' brasileiro. As coisas que acontecem no programa parecem surreais, mas o Brasil anda tão incorreto que estamos mais realistas que o rei. Acho que, justamente por isso, o público se identifica tanto com a série''.


