Sincretismo une crenças ao cristianismo
Apesar das grandes diferenças ritualísticas, tanto a doutrina do Santo Daime quanto a umbanda são ligadas ao cristianismo, devido ao fato de a maioria dos brasileiros ser praticante há muito tempo. O ponto em comum dá-se pelo sincretismo de santos ou orações.
A doutrina do Santo Daime, ou Culto Eclético da Fluente Luz Universal, é, segundo os adeptos, um trabalho espiritual com o objetivo de alcançar o autoconhecimento e a experiência de Deus ou do Eu Superior Interno. Para tanto, os fiéis costumam realizar rituais de oração, dança e canto com a ayahuasca, bebida confeccionada a partir do cozimento do cipó jagube e da folha chacrona (ou rainha e mescla).
A bebida causa efeitos alucinógenos e psicotrópicos, por isso foi considerada ilegal por um bom tempo, mas acabou sendo liberada recentemente pelo Conselho Nacional Antidrogas apenas para uso ritual. A ayahuasca já era utilizada por tribos indígenas há muitos anos e passou a ser associada ao Santo Daime a partir de 1930, quando Raimundo Irineu Serra iniciou a doutrina - que combina crenças africanas, cristianismo, espiritismo e variações - junto de uma comunidade de afrodescendentes, moradores da floresta amazônica.
Já a umbanda mistura várias crenças, entre elas as indígenas, espíritas e africanas, que, com o tempo, foram se difundindo pelo Brasil e se adaptando a cada comunidade e região. É comum muitos dos santos católicos serem associados aos Orixás - energias, forças da natureza que influenciam as pessoas e mantêm o equilíbrio do universo - africanos e, apesar das diferenças entre os grupos praticantes, convencionou-se que Zélio Fernandino de Moraes foi quem elevou a umbanda ao status de religião, nos anos 70.
No entanto, a prática da umbanda é bem mais antiga e prega o culto aos Orixás e o contato com o mundo espiritual por meio do mediunismo, a harmonia entre os seres humanos e a dedicação à fonte criadora universal, o Deus Supremo, denominado de Olorum e Zambi. Mais informações sobre ambas as crenças podem ser encontradas nos sites www.santodaime.org e www.paimaneco.org.br. (C.Y)





