Síncopes nordestinas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de dezembro de 2000
Ranulfo Pedreiro De Londrina 
Mestre da divisão rítmica, aglomerador do forró com o samba, Jackson do Pandeiro ainda é tema de homenagens aos 80 anos de seu nascimento, lembrados no ano passado. No começo da década de 80, Jackson foi acompanhado por Jarbas Mariz ao pandeiro. Influenciado pela desenvoltura com que o cantor utilizava as síncopes e brincava com o tempo, Mariz está lançando Forró do Gogó ao Mocotó, pela Atração Fonográfica (www.atracao.com.br), de São Paulo.
O repertório traz clássicos inevitáveis como Forró em Caruaru (Zé Dantas), Chiclete com Banana (Gordurinha/Almira Castilho), Samba do Ziriguidum (Jadir de Castro/Luiz Bittencourt), Cabo Tenório e Sebastiana (Rosil Cavalcanti).
As participações especiais proliferam com Chico César, Mestre Ambrósio, Marcos Suzano (pandeiro), Toninho Ferragutti (acordeom), Bocato (trombone) e Vange Milliet (voz). O próprio Jarbas Mariz se divide em voz, percussão e viola de 12 cordas.
Embora a interpretação seja próxima das gravações de Jackson, alguns arranjos, principalmente de sopros, ganham destaque. A tradicional Cantiga do Sapo (Jackson/Buco do Pandeiro), mais próxima da releitura, traz um tratamento intimista é difícil imaginar Jackson do Pandeiro sem percussão. No contexto geral, a proximidade com os trabalhos originais é grande, se diferenciando nos contornos mais contemporâneos.
Outro lançamento do gênero é Ventos do Nordeste Xote, Baião e Arrasta-pé, de Eliezer Setton. Nascido em Maceió, Setton é cantor e compositor, e já teve músicas gravadas por Elba Ramalho e Dominguinhos. O encarte traz xilogravuras que lembram cordéis. O forró é acústico, embasado na sanfona de Tião Marcolino, percussão e detalhes de flauta, violino e viola de arco.
O forró de Eliezer Setton traz arranjos secos, com acordeon mais melódico do que harmônico, pontuado, algumas vezes, pelo fraseado das cordas e sustentados pela percussão. A linguagem pop que passeia pelo meio não está presente, Setton é mais ligado, instrumentalmente, às raízes. Além dos ritmos citados xote, baião e arrasta-pé , Eliezer Setton circula ainda pelo coco/embolada em Coco 2000 com versos usuais do improviso, como você diz que dá na bola/ Na bola você não dá, também utilizados por Zeca Baleiro em Vô Imbolá. As bandas de pífanos são lembradas em Salada Tupiniquim (Ismar Barretto). Ventos do Nordeste saiu pela Rob Digital.


