"Sinais de Fumaça", realizado por índios americanos, estréia amanhã
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quarta-feira, 05 de maio de 1999
Por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 06 (AE) - Há quase 30 anos, mais exatamente em 1971, uma tribo de índios apaches produziu o western desmistificador "O Duelo", de Lamont Johnson, com Kirk Douglas e Johnny Cash. Mas o filme foi escrito, produzido e dirigido por homens brancos. Não alcançou a repercussão que a tribo esperava (e até merecia). No fim dos 90, surge o primeiro filme inteiramente realizado por índios americanos. "Sinais de Fumaça" estréia amanhã (07). É mais do que uma curiosidade - um bom filme.
"Sinais de Fumaça" foi premiado no mesmo festival de roteiros do Sundance que destacou "Central do Brasil", de Walter Salles. Pronto, o filme recebeu o prêmio de direção na mostra independente americana. É um filme de Chris Eyre, cineasta índio-americano, descendente de cheyennes e arapahos. Ele se baseou em textos da coleção de contos "The Lone Ranger" e "Tonto Fistfight", de Sherman Alexie.
É um filme simples, um pequeno filme feito com recursos limitados, mas com o coração. Quando começa, um incêndio destrói uma casa numa reserva indígena. Morrem o pai e a mãe, salva-se o bebê. É o narrador da história. De fundo, logo no começo, ele diz que algumas pessoas são feitas de fogo, vêm ao mundo para queimar a si mesmas e aos outros. Outras são feitas de cinzas, levam uma vida amargurada e apagada. "Sinais de Fumaça" é a história de dois rapazes, feitos de fogo e cinzas.
Chamam-se Victor e Thomas. Colocam o pé na estrada, abandonam a reserva e partem numa viagem para o Arizona, em busca dos restos do pai de um deles, que morreu depois de abandonar a família e manter-se afastado por muitos anos. É um filme que reflete a situação do índio americano, porque na situação dos protagonistas, sempre em trânsito, se pode perceber um discurso sobre uma cultura que já foi forte e hoje é marginalizada.
É um filme sobre a família, que o índio cultua como valor supremo. Tem frases bonitas que revelam o pensamento de uma raça. "Hoje é um dia bom para morrer, hoje é um dia bom para jogar basquete". É um filme universal pelo tema que Chris Eyre e Sherman Alexie desenvolvem. Eles falam da relação entre pais e filhos, sempre tão complicadas. Concluem com uma frase que fica com o espectador e é um convite à reflexão: "Se perdoarmos nossos pais, o que restará?" Não são muitos os filmes que têm esse efeito sobre o público.


