SIMPÓSIO DISCUTE O NOVO LEITOR
Epecialistas defendem a leitura como uma necessidade e apontam caminhos para democratizar a informação
Érika Pelegrino
Josoé de CarvalhoJosé Augusto Chaves Guimarães e Max Butlem: palestra sobre o papel das universidades na educação e na informaçãoUm povo mantido na ignorância certamente terá condições de vida inferiores, mas o país também paga por isto. Esta pode ser considerada a consequência mais grave da não democratização da cultura e da educação em um país. Max Butlem, da embaixada da França no Brasil e consultor do Ministério da Educação pelo Programa Pró-Leitura na formação do professor é uma autoridade no assunto. Ele esteve em Londrina participando do Simpósio Brasil Sul de Informação, encerrado ontem.
Povo ignorante, país subdesenvolvido não é nenhuma revelação ou descoberta, mas sim uma situação que precisa ser mais que discutida, modificada na prática. Max Butlem que proferiu palestra sobre ‘‘Informação e Educação: o papel das universidades’’, juntamente com José Augusto Chaves Guimarães, da Unesp em Marília, é categórico: ‘‘Mais do que mesas-redondas, debates, é necessária a prática’’.
Para isto acontecer ele defende a articulação entre universidades, centros de formação de professores e escolas na formação de profissionais para a criação do novo leitor, capaz de lidar com a informação de forma satisfatória.
A comunicação entre pesquisadores, professores e alunos precisa ser estabelecida. Segundo Max Butlem, a universidade precisa mudar a sua postura e estar mais atrelada à realidade da sua comunidade, para que se estabeleça a comunicação entre pesquisadores, professores e alunos.
Nesta nova postura a universidade precisa responder a três perguntas: ‘‘Que tipo de leitor precisamos formar?’’, ‘‘Que tipo de professor precisamos formar?’’ e ‘‘Que estruturas de apoio precisamos para formar este leitor novo e este professor novo’’.
Max Butlem salienta que é preciso acabar com o discurso apaixonado de que leitura é algo prazeroso e reforçar um discurso baseado na realidade. ‘‘Hoje não se lê só por prazer, mas por necessidade. As práticas de leitura mudaram da literária para a utilitária.’’
‘‘Nesta nova realidade em que a informação é fundamental, ler é essencial. Há anos atrás era possível viver sem ler, hoje não’’, afirma. ‘‘Para um país se desenvolver é preciso formar crianças leitoras.’’ A universidade tem uma responsabilidade neste contexto, promovendo a formação continuada dos professores, oferecendo um conteúdo científico ao professor a respeito de psicologia cognitiva, história do tratamento da informação, sociologia.
‘‘As universidades precisam se tornar um centro de referência para a formação do professor na área do tratamento da informação na formação do leitor’’, afirma Butlem. Desta forma a universidade estará permitindo a organização de uma rede de integração - pesquisador, professor, aluno - de informação na aprendizagem da leitura.
‘‘Esta rede de recursos humanos irá permitir a troca de resultados, de experiências entre países’’, diz Max Butlem. Melhorar a formação do professor é uma necessidade em diversos países, segundo Max Butlem, não apenas no Brasil. Ele explica que o acesso à informação, à leitura, e o saber lidar com esta informação -sem apenas consumi-la - resulta na escolha política de uma sociedade. ‘‘Dar acesso à informação é democratizar a sociedade.’’
O consultor do Ministério da Educação exemplifica com uma experiência da França. Há 30 anos aquele país democratizou a educação como forma de apostar no desenvolvimento. Resultado: antes 10% de filhos de operários chegavam à universidade, hoje 70% chegam.
Nestas transformações necessárias para a criação do novo leitor, Max Butlem cita a bibliotecas interativas. Em São Paulo, dentro do Projeto Pró-Leitura, desenvolvido em 18 estados em parceria Brasil/França desde 1992, foram inauguradas quatro bibliotecas interativas. Estas bibliotecas transformam o leitor em um produtor da informação que ele está tendo acesso.
Além do acervo tradicional, as bibliotecas interativas oferecem documentos, livros, testemunhos, que contam a história da comunidade local, das pessoas que moram no bairro onde a biblioteca está inserida. ‘‘Permitir ao jovem tratar e reutilizar a informação é uma contribuição enorme à cidadania.’’

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