Simone costuma brincar com a conterrânea Ivete Sangalo dizendo: "eu sou você ontem". Quem acompanhou a fase áurea da artista que iniciou a carreira há mais de quatro décadas sabe que a comparação tem fundamento. Após ocupar o posto de maior vendedora de discos do País entre as décadas de 1980 e 1990, a intérprete está realizando um de seus maiores sonhos. Ela tem excursionado pelo Brasil com a turnê do show "É Melhor Ser" que tem ingressos ao preço simbólico de apenas R$ 1. O espetáculo será apresentado aos londrinenses amanhã, às 21 horas, no Teatro Marista e conta com apoio do Grupo Folha de Comunicação.

Após passar por um repertório de gosto duvidoso que rendeu milhões de discos vendidos, Simone voltou a gravar grandes compositores nos últimos anos. Seu CD mais recente, "É Melhor Ser", que serviu de base para o show que será apresentado em Londrina, faz uma ode ao universo feminino. Com repertório composto apenas por mulheres, o disco reúne canções assinadas por Alzira Espíndola, Adriana Calcanhotto, Fátima Guedes, Dona Ivone Lara e Rita Lee, entre outras.

O espetáculo criado para celebrar os 40 anos de carreira da cantora estreou no Rio de Janeiro, em 2013, e conta com direção da atriz Christiane Torloni e cenário de Hélio Eichbauer. O roteiro do show reúne músicas mais recentes e eternos sucessos da baiana, como "Começar de Novo", "Jura Secreta", "Alma" e "O que será". Além de hits lançados por Simone, o set list traz também canções de Dolores Duran (‘A noite do meu bem’), Isolda (‘Outra Vez’) e inéditas na voz da intérprete. Entre elas o ‘O tom do amor’ (Moska/Zélia Duncan), ‘Canteiros’ (poema de Cecília Meireles musicado por Fagner) e ‘Candeeiro’ (Teresa Cristina).

Em 43 anos de carreira, Simone passou por fases diversas. A consagração popular da artista veio com a gravação da música "Começar de Novo", tema de abertura da minissérie Malu Mulher (1980), considerada um dos hinos do início do movimento feminista no País. Nas décadas seguintes, Simone alcançou grande sucesso popular, com dezenas de música que atingiram o topo das paradas de sucesso e fizeram parte de várias novelas. Com 31 álbuns lançados no Brasil, a voz da cantora de 66 anos nascida no dia 25 de dezembro continua ecoando País afora todo final de ano com sua polêmica gravação da música "Então é Natal" (1995), versão de "Happy Xmas (War Is Over)", gravada em 1971 por John Lennon e Yoko Ono.

Prestes a embarcar para Londrina, Simone concedeu uma entrevista exclusiva à Folha por e-mail.

Folha - Realizar essa turnê com ingressos a R$ 1 tem permitido um encontro com um público que não tinha acesso às suas apresentações?

Simone - O preço por vezes acaba afastando o público que tem muita vontade de ir ao show, mas nem sempre consegue. Era um sonho bem antigo. Recebo patrocínio para shows há muito pouco tempo, desde 2009. Este é a minha segunda turnê patrocinada e, quando saiu, sentenciei: vai ser agora! Foi uma decisão minha, uma forma retribuir tanto carinho e fidelidade do público durante todos esses anos.

Folha - Você é de uma geração de intérpretes com timbres muito marcantes na MPB. Quais cantoras da nova safra despertam sua atenção atualmente?

Simone - Como na minha geração, são muitas cantoras, com timbres e linguagens distintos, fazendo trabalhos interessantíssimos. Vejo com muita alegria esta geração de grandes cantoras. Céu, Tulipa, Roberta Sá, Karina Buhr, Alice Caymmi, entre várias outras. São tantas e tão diferentes.

Folha - Quais são seus novos projetos profissionais?

Simone - A vida na estrada é muito extenuante. Sou uma moça de 66 anos, entrar em uma turnê longa como esta requer muita disciplina e disposição. Neste momento, estou toda tomada por isso. Mas a fagulha de pensar no próximo movimento já está aqui dentro, novidades virão por aí.

Folha - Na sua voz, a música "Começar de Novo" tornou-se um dos hinos no início do movimento feminista no Brasil. Acha que as mulheres conquistaram seu devido papel na sociedade?

Simone - Investigar e abordar o trabalho das compositoras funciona de alguma forma como um recorte evolutivo deste empoderamento feminino de hoje: elas falam de amor, de dores, mas também de luta e superação com muito vigor. E tudo desaguou neste feminismo contemporâneo, da ‘sororidade’, do empoderamento efetivo. A igualdade de direitos não é plena, falta muito ainda, mas toda essa movimentação que se vê hoje é muito animadora e necessária. Chegaremos lá!

Serviço:
Simone - Show "É Melhor Ser"
Quando – Amanhã, às 21 horas
Onde - Teatro Marista de Londrina (Av. Cristiano Machado, 240)
Ingressos esgotados

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