Aos 76 anos, o empresário Silvio Santos ainda encontra fôlego para vestir a camisa de sua emissora e sair em defesa do SBT. É o que demonstra o desempenho recente de sua nova atração, o ‘‘Topa ou Não Topa’’, que, há apenas dois meses no ar, conquistou bons índices de audiência e conseguiu chegar perto do objetivo de frear o crescimento da Record no horário nobre.
  Se no primeiro semestre deste ano a rede de Edir Macedo comemorou a vice-liderança entre as 18 horas e meia-noite, bastou a estréia do apresentador em um novo programa para que os números começassem a mudar, favorecendo o SBT.
O fato é que, em agosto, a emissora de Silvio saiu da desvantagem e empatou com a concorrente na faixa de horário mais cobiçada e que atrai o maior número de telespectadores e de anunciantes – o horário nobre, que vai das 18 à meia-noite com 8 pontos no Ibope.
  Apesar de a Record não ver isso como uma reação da rival e afirmar ter se consolidado no segundo lugar nesse horário, de cara, a atração desbancou uma das maiores apostas da concorrente: o ‘‘reality show’’ ‘‘O Aprendiz 3’’, comandado por Roberto Justus. Estrategicamente, Silvio Santos lançou seu programa no domingo dia 6 de agosto – o dia oficial do ‘‘Topa’’ é a quarta-feira– para ofuscar o concorrente.
  Com a mudança de dia, o programa apresentado por Silvio Santos manteve os bons resultados no Ibope: tem conseguido o dobro da audiência dos jogos de futebol exibidos pela Record. Mas o mérito do empresário vai além do ‘‘Topa’’. Quando o apresentador está no ar, é difícil o concorrente ficar tranqüilo.
Além do ‘‘Topa ou Não Topa’’, o ‘‘Rei Majestade’’ (quartas, às 23 horas) algumas vezes ultrapassa a Record, que no mesmo horário transmite o final do futebol e o ‘‘Terceiro Tempo’’, de Milton Neves. Outro sucesso que conta com o toque de Silvio é o ‘‘game show’’ ‘‘Roda a Roda’’, do qual participam exclusivamente clientes do Baú da Felicidade e é exibido nas tardes de domingo.
  A popularidade do apresentador é apontada por especialistas como a fórmula do sucesso: ‘‘O Silvio tem uma história de 40 anos entre rádio e TV, que foi construída com muito trabalho. Ele conhece as pessoas e conseguiu passar por muitas gerações, mantendo-se popular por todo esse tempo. Isso, aliado a atrações com formatos de repercussão e de sucesso mundial, é o segredo de sua audiência’’, analisa o sociólogo Laurindo Leal Filho, professor da ECA/ USP.   Ele acrescenta que o fato de haver uma premiação em dinheiro – R$ 1 milhão, no caso do ‘‘Topa’’– também é chamariz de Ibope. ‘‘É o tipo de programa que possui um mecanismo que prende o telespectador do começo ao fim’’, completa o
pesquisador.
  Outro estudioso, o professor Júlio Wainer, da PUC-SP, que também atua como diretor-geral da TV daquela universidade, credita o feito ao carisma do empresário. ‘‘Há um mito em torno da figura dele. Isso ajuda a elevar a audiência, mas é paliativo. Sempre que algo novo estréia, principalmente se for com o Silvio Santos, desperta a curiosidade do público, de um grande número de pessoas. Mas sempre há o risco de a fórmula se esgotar’’, avalia. ‘‘De qualquer forma, tanto o Silvio quanto a Hebe, por exemplo, são monumentos da televisão e chamam a atenção por si mesmas. São ‘‘instituições’’ que têm o poder de atrair na TV.’’
  Na opinião de Alexandre Raposo, presidente da Record, o empate com o SBT em agosto não significa nem ‘‘um esboço’’ de uma reação na questão da vice-liderança no horário nobre. ‘‘Isso não nos preocupa porque não percebemos que há investimentos por parte daquela emissora. Vemos que não há uma preocupação deles com a grade de programação nem com as pessoas. O SBT já foi competitivo no passado, mas hoje não é. Acho até que a audiência do Silvio está abaixo da que ele merece’’, fala o executivo, que aposta em pesados investimentos em teledramaturgia para continuar na segunda posição no período. ‘‘Mas é claro que o Silvio continua sendo a grande estrela da emissora, e o público continua simpatizando muito com ele’’, completa. Procurado pela reportagem, o SBT preferiu não se manifestar sobre o assunto.
  Sobre a existência do ‘‘efeito Silvio Santos’’, o professor Antônio Carlos Filipi Ruótolo, professor da pós-graduação em comunicação da Universidade Metodista de São Paulo, diz que não existe lealdade por parte do telespectador, mas simpatia, o que favorece o dono do SBT. ‘‘O sujeito define o que vai ver no momento em que está com o controle remoto na mão. É uma reação instantânea’’, diz.

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