Arquivo FolhaSilvester Stallone: ‘‘Cop Land’’ não deve ultrapassar a marca dos
US$ 150 milhõesSylvester Stallone, aos 51 anos, está mais feliz do que nunca. Pela primeira vez desde que, há 20 anos, ele disse que venderia o script de ‘‘Rocky’’ apenas se estivesse no papel principal do filme, o ator arriscou tudo ou nada na carreira. E o resultado foi melhor do que o esperado. Ele aceitou deixar a imagem de herói de filmes de ação para fazer o papel do xerife gordo e letárgico do filme ‘‘Cop Land’’, que chegou aos cinemas dos Estados Unidos na sexta-feira da semana passada. Para convencer todo mundo de suas novas intenções na carreira, ele teve de engordar cerca de 15 quilos.
E não foi o único sacrifício. Para trabalhar no filme, com orçamento de apenas US$ 20 milhões, o ator teve de abrir mão de seu cachê médio (que é em geral a mesma cifra) e trabalhar por US$ 50 mil. O pagamento chegou de outras maneiras. O filme, que também tem Robert De Niro, Harvey Keitel, Ray Liotta e Annabella Sciorra no elenco, deve ser para a carreira de Stallone o que ‘‘Pulp Fiction - Tempo de Violência’’ foi para a de John Travolta. A opinião é de executivos da Miramax, a produtora da fita. É exagero. Ele está bem no filme, mas não é a atuação tão espetacular que Hollywood diz que é.
Talento De qualquer maneira, os elogios para sua participação em ‘‘Cop Land’’ demoraram muito, na opinião do ator. Em parte, a perda de tempo em sua carreira foi nos últimos anos, com filmes de ação que foram mal de bilheteria (para não falar das críticas), como ‘‘Juiz Dredd’’, ‘‘Assassinos’’ e ‘‘Daylight’’. ‘‘O ator nem era mais necessário, bastava dizer algumas falas e fazer bem as cenas de ação’’, afirmou ele para o jornal ‘‘Daily News’’. ‘‘Foram ótimos negócios em termos de dinheiro, mas 10, 12 anos ficaram para trás. Meu erro foi não dizer antes que eu não precisava deste dinheiro, que eu devia largar tudo e fazer alguma coisa diferente, como Al Pacino, que faz peças apenas para exercitar seu talento’’.
Quando o roteiro de ‘‘Cop Land’’ chegou às mãos de Stallone, ele sentiu que era sua chance de mudar tudo. Ele deixou de lado a postura de astro de Hollywood, de esperar que corram atrás dele, e saiu de sua casa em Miami para procurar o diretor James Mangold, em Nova York. O diretor, de 33 anos, fez apenas outro filme, ‘‘Heavy’’, com Liv Tyler. O primeiro passo depois que os dois resolveram trabalhar juntos foi convencer o ator de que ele deveria sair da forma para fazer o papel de Freddy Heflin, o xerife mosca-morta de uma pequena cidade de New Jersey habitada por um monte de policiais de Nova York, que mandam no lugar.
Comilança De acordo com o ator, ganhar peso não foi das coisas mais difíceis. De acordo com o que ele conta à revista ‘‘Entertainment Weekly’’, foi preciso apenas parar com os exercícios e comer tudo o que antes era proibido: pasta de amendoim, panquecas, lasanha, bolo... Em Hollywood, a nova silhueta do ator era motivo de alguns sustos (como o que o público de ‘‘Cop Land’’ tem na primeira vez em que ele aparece na tela) e muitas piadas.
Sylvester Stallone parece realista em relação ao apelo de ‘‘Cop Land’’ para o público dos cinemas. O filme foi o campeão de bilheteria no último fim de semana nos Estados Unidos, mas não deve ultrapassar a marca dos US$ 150 milhões, a dos blockbusters em geral. Segundo ele, quem gosta de bons filmes e boas histórias vai pagar o ingresso. O desafio, segundo o ator, foi ganhar tanto as características do personagem que seus amigos e sua família, principalmente, notassem a diferença.
Além de perder os 15 quilos e voltar à forma, Stallone parece que também fez algumas besteiras nas telas depois de ‘‘Cop Land’’. Um de seus erros foi a comédia ‘‘An Alan Smithee Film’’, que nem deve ser lançada por Hollywood, porque é ruim demais, de acordo com as fofocas que correm por aí. Ele está em negociações com William Friedkin, diretor de ‘‘O Exorcista’’, para fazer um filme sobre um tribunal militar. O ator também recomeçou a trabalhar em um projeto antigo, um roteiro de sua autoria baseado em contos de Edgar Allan Poe. De sua relação com a literatura, pouca gente sabia.

mockup