São Paulo, 01 (AE) - Nada define melhor os limites de "Silverado" do que o fato de o diretor e roteirista Lawrence Kasdan ter criado quatro heróis para resolver os conflitos que num western antigo poderiam ser solucionados por um só mocinho. O western já foi definido como a mais perfeita configuração do cinema. Kasdan com certeza viu muitos bangue-bangues. Como diretor e roteirista, domina essa linguagem, mas não consegue superá-la. Seu western é uma coletânea brilhante do que de melhor foi produzido pelos grandes mestres: John Ford, Howard Hawks, Raoul Walsh, Anthony Mann e Henry Hathaway.
Estão lá o grande espaço aberto, a cidadezinha violenta e o saloon em que todos os destinos se cruzam. Também estão presentes os sentimentos fortes da vingança, da traição, da amizade e da família dividida, dos amores difíceis. Kasdan recria tudo com amorosa atenção para o detalhe. Mas ele não é Clint Eastwood, o mais legítimo herdeiro dos mestres. Eastwood cria westerns em que ele mesmo faz o protagonista. Como os mocinhos da velha geração, é um homem capaz de resolver as paradas sozinho.
Por defeito de construção ou falta de um ator carismático, Kasdan multiplica por quatro os protagonistas. São quatro pistoleiros que tentam resgatar a lei e a ordem na cidadezinha de Silverado. São interpretados por atores que se destacaram bastante desde 1985, quando o filme foi feito: Kevin Kline, Kevin Costner, Scott Glenn e Danny Glover. O melhor é Kline, que cria um homem da noite, com estranhas lealdades e um romantismo cinzento que se ilumina no duelo ritualístico do fim. É um filme feito com paixão e técnica. Mas falta o vigor espontâneo de uma arte cujo segredo parece para sempre perdido.

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