Sidney Magal invade a praia dos adolescentes
O último disco de Sidney Magal, Aventureiro, está estalando de novo. Acabou de sair da fábrica e chega às lojas com uma sonoridade moderna, dançante, para contagiar ouvidos da garotada irreverente. Lançado pela Paradoxx Music, reúne cinco de seus maiores sucessos e oito canções inéditas. O objetivo é claro como céu de brigadeiro: atrair para si uma nova faixa de público.
Vou conquistar a garotada; quero entrar na praia dessa juventude, disse o cantor, em entrevista dada por telefone à Folha2. Disposição para que isso aconteça é o que não falta. O disco foi inteiramente produzido para atender à um mercado específico, embora Magal insista em ter um olho voltado para seus fãs de primeira hora.
Em Aventureiro nada foi reaproveitado, afirma. É tudo muito novo; o som foi atualizado e mesmo a Sandra e o Amante Latino estão adolescentes, brinca, referindo-se aos dois antigos êxitos.
Para divulgar o CD, Sidney Magal está com um show praticamente montado, inclusive com participação de quatro bailarinas. Ele comenta que hoje o artista deve ser como animador de festa, papel muito diverso de outros tempos, quando os intérpretes eram ídolos. Época complicada esta: precisa-se montar o circo para as pessoas guardarem na memória o que você está cantando.
Aventureiro, o show, será levado Brasil afora pelos programas de TV, em feiras agropecuárias e demais eventos locais. Temporadas em casas famosas não fazem o perfil do cantor. Fiz uma de cinco dias no Canecão, e para isso gastei duas semanas de ensaios. É preciso muito empenho para um tempo muito curto, contabiliza.
Sidney Magal vem sendo saudado pela imprensa como aquele que está voltando ao disco. O que houve realmente foi um longo afastamento da mídia, iniciado em 91, que está terminando agora. Durante todo esse tempo ele manteve as atividades artísticas, incluindo experiências como ator no palco e na televisão.
Há dois anos Magal gravou um disco pela Globo Polydor (não teve mídia, não teve nada), com uma banda americana. Cantava apenas hits dos anos 40 e 50. Sidney Magal e Big Band, apesar da falta de divulgação, vendeu 50 mil cópias.
Em 1994 o cantor defendeu um papel na novela da TV Manchete, Ana Raio e Zé Trovão; em 96 trabalhou em Campeão, novela da TV Bandeirantes. Pisou no palco como ator, pela primeira vez, sob direção de Marília Pera e André Valle em 1995, na peça Charity, Meu Amor; ano passado protagonizou Roque Santeiro, dirigido por Bibi Ferreira.
Descobrir-se ator pelas mãos de duas importantes mulheres acrescentou alguma coisa nas pretensões do artista? Tudo isso para mim foi muito bom; futuramente até poderia pensar em alguns projetos, responde. Porém, nada de concreto - teatro é uma arte sacrificada e mal remunerada. Sou um homem de 45 anos, tenho minha vida estabilizada, mas com uma família para cuidar, avalia.
Apesar do fascínio que o teatro exerce, é complicado levar duas carreiras ao mesmo tempo. Gostaria de fazer novos trabalhos, mas antes teria que analisar o retorno disso para mim como cantor. O previdente artista que foi tema de novela da TV Globo (em A Rainha da Sucata estourou com Me Chama que Eu Vou), está feliz da vida com essa festa pairando no ar com sua volta.
O que me mantém é o carinho das pessoas; foi o que segurou minha carreira em alguns momentos, comenta. A rejuvenescida do som para se adequar aos jovens é uma imposição puramente latina, acredita Magal. Fora daqui as pessoas vão pelo talento. Aqui tem o preconceito da idade; só o novo pode fazer sucesso, observa. Se as leis são essas, o lance é driblar para marcar seu tento. Aventureiro está no campo.ReproduçãoSidney Magal:Vou conquistar a garotadaZeca Corrêa Leite





