NÃO É BESTEIRA

A remasterização do segundo disco do Blur ''Modern Life is Rubbish'', de 1993, faz renascer das cinzas um dos maiores fracassos comerciais do grupo, mostrando que, depois de quase 20 anos, o álbum duplo - que, na época do seu lançamento oficial, foi massacrado pela crítica - ainda mantém um valor artístico que persiste durante todos estes anos. Gravado como uma resposta ao movimento grunge que dominava a cena na época, ''Modern Life'' é considerado 'difícil' porque abraça a proposta de ser um álbum criado e concebido tendo como base o britpop experimental, sem hits imediatos, e que os ouvidos demoram um pouco para acostumar. Mesmo assim, depois de ouvir algumas vezes, o som 'lado B' do Blur começa a ficar impregnado na cabeça. Destaque para as faixas ''For Tomorrow'' e ''Chemical World''.




HUMOR APIMENTADO

Misturando diversos ritmos brasileiros, o velho 'Novo Baiano' Moraes Moreira lança o seu 28º álbum solo, ''A Revolta dos Ritmos'', mostrando que ainda tem suíngue e malandragem de sobra em suas músicas. Pontuado por batidas de samba, frevo, baião e rock, o disco é recheado de críticas sociais musicadas com maestria, com a voz anasalada de Moreira se encaixando perfeitamente no tom bem-humorado de suas faixas. Destaque para as músicas ''A Dor e o Poeta'', ''Rapas e Religiões'' e ''O Brasil não Tá Pronto''.



SOM EXTRATERRESTRE

Discos voadores, experiências científicas, cyborgs extraterrenos. Estas são as sensações deixadas pela música da banda neozelandesa Opossom, que abusam de batidas futuristas, misturadas aos vocais melódicos de Kody Nielson. Entregando um pop/indie de qualidade em seu primeiro álbum ''Electric Hawaii'', o grupo tenta decolar com 10 músicas que formam uma galáxia sonora parecida com a de bandas como The Vaccines, o grupo mostra competência em fazer faixas arrumadinhas - como as boas músicas ''Fly'' e ''Blue Meanies'' - mas parece faltar 'gás' (ou plutônio) para que o Opossom consiga alcançar estrelas mais distantes, e que brilhem por mais tempo no universo da música.




GRANDE ESTREIA

Mesclando os acordes de sua guitarra de seis cordas e uma batida com pegadas que lembram R&B, folk e jazz, a jovem pianista e compositora Lianne La Havas consegue - em seu primeiro álbum de estúdio ''Is Your Love Big Enough?'' - conceber uma sonoridade própria, que transpira originalidade musical e expõe o talento natural da cantora em criar melodias surpreendentes. Sucesso na Inglaterra, através de múltiplas influências La Havas demonstra em seu debute musical que é possível ser pop, escapando da armadilha do clichê. Vale a pena conferir.




APAGUE A LUZ

É quase certeza que você já ouviu algum hit da banda inglesa The Darkness. Ao mesmo tempo, é quase certo que você já esqueceu completamente sobre a existência desses caras. Apontado em meados de 2003 como um dos novos expoentes do Glam rock - aquele estilo com calças de couro, cabelos compridos e apresentações perfomáticas - o grupo atingiu sucesso mundial ao vender meio milhão de cópias com seu álbum de estreia, ''Permission to Land'', impulsionado nas rádios pelo megahit ''I Believe in a Thing Called Love''. Depois do sucesso instantâneo, seguido por um péssimo segundo álbum, brigas internas e o fim da banda em 2005, a banda retorna ao estúdio em seu novo álbum ''Hot Cakes'', o The Darkness mostra que não amadureceu, e que - apesar de continuar bobo e espalhafatoso como sempre - já perdeu aquela vitalidade sonora que fazia a banda ser interessante. Com faixas medíocres, a pior coisa do álbum é o cover de ''Street Spirit (Fade Out)'', que dá tons de 'Massacration' ao clássico do Radiohead. E não tem purpurina que compense música ruim.

[email protected]

mockup