SHUFFLE
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de agosto de 2012
Rafael Ceribelli 
RITMO SENTIMENTAL
Para o lançamento de seu novo álbum de covers, ''Après'', Iggy Pop resolveu ignorar a ajuda na distribuição das maiores gravadoras. O motivo? Ele queria evitar qualquer palpite em relação ao estilo musical que ele - supostamente - deveria regravar. Abaixando sua distorção, o veterano Iggy surpreende com releituras melódicas de Serge Gainsbourg (''La Javanaise''), Beatles (''Michelle'') e Edith Piaf (''La Vie En Rose''), com seu vocal gutural preenchendo faixas, todas pautadas tendo como tema a influência da cultura francesa. Tocante em diversos momentos, ''Après'' acaba se definindo como um projeto corajoso e melancólico, em que Iggy escolheu canções íntimas sem se importar para a recepção do público e crítica. O tiozão ensina: isso também é ser punk.
SEGUNDA SESSÃO
O primeiro disco de Joss Stone, ''The Soul Sessions'' (2003), foi responsável por tirar a jovem cantora - que na época, tinha apenas 16 anos - do anonimato e fazer sua bela voz alcançar o topo das paradas mundiais, por meio de covers com batida R&B amplificados por seu poderoso 'drive' vocal. Dez anos depois, Stone revisita o velho formato em seu novo álbum, ''The Soul Sessions: Vol 2'', com boas surpresa que mantém o impacto de seu disco de estreia. Mais madura musicalmente, a cantora agora consegue transmitir seu próprio ritmo às canções de Eugene Record (''Give More Power to the People''), Tin Renwick (''Sideways Shuffle'') e à balada suave de John D. Loudermilk (''Then You Can Tell Me Goodbye''), comprovando que não é só mais um rostinho bonito.
TRIBUTO QUERIDO
Resgatando o clima melódico e setentista da banda britânica/americana Fleetwood Mac, o álbum ''Just Tell Me That You Want Me: A Tribute To Fleetwood Mac'', reúne as releituras de 17 artistas convidados, prestando homenagem a uma das maiores bandas do blues e soft rock. Reunindo os talentos de Karen Elson, Alisson Mosshart, Antony Hegarty, Best Coast e Marianne Faithfull - entre outros intérpretes - o álbum consegue dar uma roupagem nova aos clássicos de Fleetwood sem perder a sua essência pop: elemento que transformou a banda em uma das mais influentes de todos os tempos.
PASSOS DO PAI
Filho do compositor João Nogueira (1941-2000), o sambista Diogo Nogueira segue caminhando na carreira de intérprete em seu novo CD/DVD ''Diogo Nogueira Ao Vivo em Cuba'', em que o músico apresenta uma mistura do ritmo brasileiro e latino no palco do Teatro Karl Marx, na terra de Fidel. Com releituras de Martinho da Vila (''Ex-Amor''), Gonzaguinha (''O Que É, O Que É''), Dona Ivone Lara (''Acreditar''), Délcio Carvalho (''Sonho Meu'') e Emílio Santiago (''Verdade Chinesa''). O show é agradável, mas os arranjos não empolgam tanto, tendo como resultado um álbum um pouco enjoativo.
ELA É A MESMA
Colocando no caldeirão uma mistura de ritmos dançantes com toques de MPB, a cantora Preta Gil lança seu quarto álbum, ''Sou Como Sou'', destacando seu lado 'maduro'. Com duas músicas compostas em família - o álbum tem uma faixa feita por seu filho, Francisco, e outra de seu pai, Gilberto Gil - a boa produção do disco mantém o suíngue característico de Preta, pontuando um samba-dance com letras que erguem bandeiras por todos os lados (e a faixa-título já declara ''Chega de preconceito / Viva a união / De toda raça, cor sexo e religião''). A intenção de Preta em se assumir como defensora das gordinhas, homossexuais e minorias étnicas pode até ser válida, mas sua sonoridade não alcança nada de especial, e o disco ainda soa como uma repetição de seus álbuns anteriores. Destaque para as faixas ''Mulher Carioca'' e ''Praga''.


