ÍCONE FOLK

Comemorando o centésimo aniversário do compositor americano Woody Guthrie (1912-1967), o álbum triplo ''100: The Woddy Guthrie Centennial Collection'' é a maneira perfeita de ouvir um lado menos conhecido do músico, com algumas versões inéditas. Dono de uma ampla produção fonográfica, as facetas do mestre das baladas folk passam por temas políticos, músicas tradicionais americanas, hinos do judaísmo e até canções infantis, todas tocadas pelos acordes de sua velha guitarra, inscrita com a famosa afirmação: ''Esta máquina mata fascistas''. Visto como um dos mais importantes ícones americanos - e lembrado como uma das maiores influências do jovem Bob Dylan - a prova do talento atemporal e da visão aguçada de Guthrie está no fato de que algumas dessas músicas, com quase meio século de idade, ainda soam atuais e relevantes.



OURO DE TOLO

Cheio de arranjos e batidas 'futurísticas', o quinto disco do rapper americano Chris Brown, ''Fortune'', tenta se renovar entregando uma mistura dos gêneros de R&B, pop, hip hop e euro music - ou seja, nada que já não tenha sido ouvido antes, na trilha de seu último álbum, ''F.A.M.E.''. Produzido com melodias pensadas cuidadosamente para atingir as pistas de dança, o que mais incomoda no álbum são as letras em que Brown afirma para si mesmo que é rico, talentoso, um bom lutador e amante, e que em nenhum momento abordam temas que refletem um pouco da sua conturbada vida pessoal. Mais uma vez, o artista se esconde por detrás de temas dançantes, pensando mais em se gabar das coisas que tem do que em criar algo verdadeiro.



AS TRÊS SÃO DEMAIS

Uma das boas surpresas de 2012, o trio de irmãs californianas Haim lança seu primeiro álbum, ''Forever EP'', já chamando a atenção do público e da crítica americana. Misturando sintetizadores, batidas dançantes e melodias agradáveis de R&B e jazz - que fazem balançar a cabeça já na primeira faixa - o álbum consegue renovar muito do charme de grupos como Fleetwood Mac, sem nunca cair no erro de se afogar dentro de uma massaroca de efeitos especiais. O som é limpo, vibrante e o trio consegue produzir boa música sem nenhum exagero estético, voz robótica ou show de raio-laser. Ainda existe esperança para o pop.




NOVOS PALCOS

A cantora paulistana Caroline Negrão deixa de lado suas apresentações em bares de SP para debutar no cenário nacional, com um disco que mescla MPB com elementos de rock, blues e pop. Interpretando composições ''lado B'' de nomes como Carlinhos Brown, Nasi, Zé Rodrigues, Arnaldo Antunes e Lenine, a suposta versatilidade do disco é equalizada pelo timbre da voz de Negrão, que lembra bastante o estilo 'Ana Carolina' de cantar. Dessa forma, mesmo bem produzido, o álbum não consegue surpreender em quase nenhum aspecto. Confira pelo site oficial (www.carolinenegrao.com.br).

TUDO AZUL



Segundo álbum independente da cantora paulistana Tulipa Ruiz, o disco ''Tudo Tanto'' faz jus ao nome; com um pouco de tudo, a mistura dos muitos gêneros - que vai de MPB até o indie - consegue adquirir uma fluência estranhamente agradável, que leva o ouvido para passear entre canções bem escritas e uma harmonização melódica (de guitarra, bateria e sintetizadores) difícil de encontrar por aí. Acompanhada com a guitarra de seu pai, Luiz Chagas, e por Marcio Arantes (baixo) e Caio Lopes (bateria), Tulipa atinge uma complexidade musical por meio de uma sonoridade low-fi, que acaba sendo uma experiência muito interessante. Ouça no MySpace oficial (myspace.com/tuliparuiz).

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