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PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Rafael Ceribelli 
DE OUTRO MUNDO
O álbum conceitual ''The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars'', de David Bowie, comemora seus 40 anos com uma edição super especial, remasterizada em CD, DVD e vinil. Considerado um marco na história do rock and roll, o disco foi o principal responsável por alçar Bowie ao status de deus no panteão roqueiro, e não é pra menos: contando em 11 faixas a trágica história do alienígena Ziggy Stardust (personagem no qual Bowie se transmutou completamente), o álbum inteiro é uma viagem extraordinária, cheio de riffs que marcaram uma geração. Surgindo como uma mistura de sexo, drogas e ficção científica, a manifestação humana do alien 'hippie' Stardust ainda permanece viva na memória e na sua influência. Bowie conseguiu criar um novo patamar para um disco conceitual, com um trabalho onde a música e a teatralidade se alinhavam em uma perfeita harmonia. Depois de quatro décadas, o som ainda é atual e vibrante; para ser abduzido, é só apertar o play.
SONHO SONORO
Embalada em um som pop bem trabalhado e uma batida agradável, a música onírica do grupo novaiorquino DIIV é apresentada - com muita personalidade - no primeiro álbum de estúdio da banda, intitulado ''Oshin''. Difícil de encaixar dentro de um gênero, o experimentalismo dos garotos Zachary Cole Smith, Andrey Bailey, Devin Ruben Peres e Colby Hewitt parece ficar sempre solto no ar, e com solos de guitarra 'flutuantes' e vocais cheios de reverberação acentuada. O disco inteiro parece soprar para dentro de nossos ouvidos, em uma unidade sonora na qual é difícil até distinguir uma faixa da outra. Gravado dentro do porão de Zachary, o álbum é interessante exatamente por essa fluidez, que merece ser conferida. É um novo universo sonoro, que pode apontar para onde está caminhando o gênero pop/indie. Destaque para as músicas ''Follow'' e ''Home''.
SOM LIMPO
Um bosque verdejante. Um raio de sol. Um coqueiro balançando na praia, com a brisa do mar. Essas são as imagens que vêm na cabeça na maioria das faixas do novo disco do Dirty Projectors, ''Swing Loo Magellan''. Misturando diversas influências musicais - que passam pelo folk, new wave, rock progressivo e indie - o grupo chega a seu décimo primeiro disco em uma maturidade sonora equilibrada, agradável, explorando composições mais leves e despreocupadas. Exatamente por essa despretensão, parece que este é o momento ideal para o grupo tentar atingir um público maior, saindo do 'underground' e encarando de frente os holofotes nos palcos de festivais. Qualidade não falta.
QUEM TEM BOCA...
Lançando seu primeiro cd solo, o percussionista vocal Fernandinho Beat Box lança seu primeiro álbum, ''Caminho Estreito'', com boas músicas e companhias estreladas. Reconhecido pelos trabalhos acompanhando o rapper Marcelo D2 com beatboxing (modalidade em que, com a boca, o artista simula instrumentos de cordas e percussão) , o habilidoso músico agora assume o microfone reunindo os talentos de Fernanda Abreu, Marisa Monte e Seu Jorge. Se é na versatilidade sonora que está a maior virtude de Fernandinho, nela reside também a maior falha do álbum solo; bem produzido e gostoso de ouvir, o problema do disco é que ele não tem uma identidade formada, se apoiando na maioria das vezes no ritmo de seus convidados, e não conferindo a oportunidade de conhecer melhor o homem por detrás do beatboxing.
MAMA ÁFRICA
Comemorando 25 anos de seu álbum mais marcante - e polêmico -, o cantor e compositor folk Paul Simon relança o disco ''Graceland'', em uma edição que conta com várias demos e versões inéditas, além de vir acompanhada de um DVD com clipes e um mini-documentário sobre a gravação. Mesmo deflagrando um problema diplomático ao ser gravado na África do Sul em pleno bloqueio anti-Apartheid, o álbum se consagrou ao formular uma mistura eclética de pop, capela, rock e das batidas africanas do gênero isicathamiya e mbaqanga, com muitos convidados do cenário sulafricano. Pelo trabalho, Paul ganhou o Grammy e o Best British Awards, se consolidando de uma vez por todas em seu caminho solo, trilhado longe de seu antigo companheiro, Art Garfunkel.
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