VOLTANDO PARA TRÁS

Como uma resposta direta às criticas dos fãs após o lançamento de seu último disco de estúdio - o decepcionante ''Rise and Fall, Rage and Grace'', de 2006 - os veteranos punks da banda californiana The Offspring conseguem retomar, em seu nono álbum, ''Days Go By'', um pouco das suas raízes sonoras originais: uma mescla do som com guitarras altas, riffs marcantes e vocais melódicos que fizeram a banda sair do underground e ser imensamente popular nos anos 1990-2000. Depois de mais de dois anos de atrasos na gravação do novo disco, a vitalidade do Offspring surpreende nas suas primeiras cinco faixas - a de abertura, ''The Future is Now'', é especialmente boa - mas o álbum vai perdendo sua força no decorrer das músicas. A experiência fica imensamente prejudicada com a sequência de ''Cruising California (Bumpin'in My Trunk)'', ''All I Have Left is You'' e ''O.C. Guns'', três tentativas fracassadas de rap/reggae/rock que parecem uma mistura de Train com Bob Marley e Simple Plan (acredite se puder). Mas tente não desligar seu aparelho de som: ainda é possível curtir as últimas boas faixas e a regravação turbinada de ''Dirty Magic'' - música original do álbum ''Ignition'' (1992) - e, com ela, conseguimos relembrar por que a banda é vista como um dos maiores ícones do hardcore americano dos anos 90. Se, em alguns momentos, a velha fórmula ainda funciona, é inegável que os veteranos não conseguem manter o mesmo potencial criativo de antigamente; os dias passam, as estações mudam, e o Offspring precisa se reinventar em seu próximo disco para não correr o risco de ficar, permanentemente, preso ao passado.






ENTRE A CRUZ E A PISTOLA

Quem só conhece a lenda de Johnny Cash (1932-2003) pelas suas batidas agressivas e clássicos como ''Folsom Prison'' e ''Cocaine Blues'' pode ficar surpreso em ver que, na intimidade, o cantor também possuía um lado repleto de calma e religiosidade. Como parte das celebrações póstumas pelo aniversário de 80 anos de Cash, a gravadora Columbia lança a ''Bootleg IV: The Soul of Truth'', com canções gospel remasterizadas e/ou inéditas, e que fizeram parte da carreira menos conhecida do homem que só vestia preto. O álbum, duplo, traz 32 faixas selecionadas de arquivos pessoais e gravações raras do músico, e ilumina aspectos da musicalidade de Cash que foram apagados pela sua 'persona' pública de fora-da-lei. Destaque para as faixas ''This Train Is Bound for Glory'' e ''Far Side Banks of Jordan''. Os brutos também amam. E rezam.






SERENIDADE MUSICAL

''Não houve muita pressão. E a gravadora não sabia o que eu estava fazendo, então ninguém ficava olhando por cima dos meus ombros'', declarou Fiona Apple quando questionada sobre o processo criativo de seu novo álbum, ''The Idler Wheel Is Wiser Than the Driver of the Screw and Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do''. Apesar de, provavelmente, ter o nome mais longo de um disco em toda a história, o álbum que marca o retorno de Apple - que desde 2005 não lançava músicas inéditas - transparece a sua criação madura e despretensiosa. Relaxada, mas nunca displicente com sua arte, a cantora e compositora demonstra que consegue encontrar beleza em canções singelas, que em sua maioria são compostas apenas de voz, piano, e de alguns efeitos de fundo. Se o próprio título indica que não é um disco fácil de ouvir, nos ouvidos certos ''The Idler Wheel...'' se transforma em uma experiência musical fantástica e imperdível. Destaque para as ótimas faixas ''Werewolf'' e ''Daredevil''.






MAIS DO MESMO

Depois de sete anos sem lançar um álbum, o grupo americano Garbage volta com seu estilo rock-tecno-espacial em seu novo disco ''Not Your Kind of People''. Com 11 faixas planejadas milimetricamente para não decepcionar os fãs, o vocalista Shirley Manson mostra que ainda está afiado como compositor e maestro da sua própria estrutura pop; com combinações harmoniosa de bateria eletrônica e de efeitos overdub com um toque de distorção de guitarras. Se mantendo dentro de sua própria zona de 'conforto' musical, o grupo não arrisca e faz uma releitura da sua própria sonoridade. Assim, o Garbage consegue se manter fiel a sua identidade, mas também não mostra nenhuma evolução depois de todos esses anos, e o som deles continua se alternando entre o pegajoso e o enjoativo. Isto é ok, mas não é suficiente para construir um grande álbum.






CANTANDO PARA DENTRO

Com forte influência da música de grupos como Abba e de Madonna, o quinto disco do Gossip, ''A Joyful Noise'', remete a uma postura menos agressiva e mais intimista (e desiludida) do que em seus álbuns anteriores. Por detrás de um excesso de sintetizadores, a cantora Beth Ditto parece tentar esconder que já não está tão inspirada assim para falar mal do mundo do show business - do qual, agora, ela faz parte - mas disposta a perseguir o caminho da autocrítica emocional, mais complexo e difícil. Dividindo opiniões da crítica especializada, o resultado do trabalho é satisfatório, mas ainda repleto de altos e baixos, e precisa ser lapidado para render um disco mais consistente no futuro. Mesmo assim, ''A Joyful Noise'' é a procura por uma sonoridade diferente, e precisa ser respeitado por isto.


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