SHUFFLE
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de junho de 2012
Rafael Ceribelli 
FORMA ORIGINAL
Quando subiu ao palco pela primeira vez, no Woodstock de 1969, o jovem guitarrista mexicano Carlos Santana, com 22 anos, já tinha um longo relacionamento com seu instrumento. Dono de uma identidade que misturava música latina com os gritos melódicos da sua guitarra, o garoto foi uma das revelações do Festival, o que lhe rendeu um contrato com a Columbia Records e uma atenção especial do mercado americano. Sempre experimentando novos sons ao longo dos anos - e dono uma extensa e diversificada discografia - o maior sucesso comercial de Santana (''Supernatural'', de 1999) saiu um pouco de suas raízes musicais, trazendo um pop rock de qualidade e parcerias com Eric Clapton e Lauryn Hill. Agora, o lançamento de seu 36º álbum, ''Shape Shifter'', remete Santana novamente ao começo de sua carreira musical: uma convergência entre espiritualismo, cultura e solos de guitarra, o álbum instrumental é dedicado aos índios americanos. Não perdendo seu ritmo em nenhum momento, ''Shape Shifter'' reitera a excepcional vitalidade musical de Santana, que é, justamente, considerado um dos maiores guitarristas de todos os tempos. Destaque para as ótimas ''In The Light of a New Day'' e ''Nomad''.
CRESCENDO E APARECENDO
Depois de ser abandonado por todas as suas ex-mulheres (Jennifer Aniston, Jessica Simpson e Taylor Swift) e de ter passado por um inferno astral ao conceder uma entrevista polêmica à Playboy americana, o guitarrista e compositor americano John Mayer resolveu esfriar a cabeça, saindo dos palcos por alguns anos. Retornando agora para a cena musical com o disco ''Born and Raised'', parece que o isolamento forçado funcionou. Mais maduro musicalmente, o novo trabalho de Mayer é intimista, com uma pegada do folk anos 70 e escrito - com uma sinceridade visceral - para expiar todos os pecados de seu passado recente. Um ótimo disco. Destaque para as músicas ''Queen of California'' e ''Grace's Submarine Test, January 1967''.
MADE IN CANADA
O que sobra de talento no guitarrista e compositor canadense Neil Young parece estar faltando em criatividade. Reunido novamente com sua banda - os Crazy Horses - agora Young lança o álbum ''Americana'', uma coletânea com a releitura de 11 faixas clássicas. Os covers estranhos como 'Oh Susanna', 'Clementine' e 'God Save the Queen' - o hino da Inglaterra, não a música dos Sex Pistols - não são o maior problema do álbum: o que incomoda é que Young propositalmente 'estica' as músicas para encaixar longos solos de guitarra, fazendo até os seus maiores fãs ensaiarem um bocejo de tédio. Apesar disso, a gravação também não é das melhores, e a impressão é que ela foi feita displicentemente, dentro de um pub (ou de um banheiro). Young ainda tem bastante crédito, mas depois dessa 'experiência' ele fica devendo para seu público.
ENERGIA RENOVADA
Depois de passarem um longo tempo sumidos do mainstream do rock and roll, os suecos do The Hives - que dividiam as atenções junto com o The Strokes no começo dos anos 2000 - renascem das cinzas com seu novo álbum, ''Lex Hives'', trazendo uma mistura bem feita de punk, garage rock e indie. Vestindo os mesmos ternos preto-e-branco e com a pegada frenética característica das suas velhas músicas, o Hives mostra que ainda consegue injetar ânimo na própria fórmula que criou, com faixas que vão fazer os 'velhos' fãs (dos tempos dos megahits ''Hate to Say I Told You So'' e ''Main Offender'') ainda quererem bater cabeças. Destaque para as faixas ''Come On!'' e ''I Want More''.
ESCUTE AQUI, MEU REI
Explorando tons suaves e poéticos que misturam diversas vertentes da MPB, o músico paulistano Rodrigo Campos lança seu segundo álbum solo - ''Bahia Fantástica'' - como uma experiência coletiva. Isso porque, mesmo com doze composições escritas por Campos, os colaboradores do disco também influenciam imensamente o resultado musical do trabalho; seja no vocal do rapper Criolo (''Ribeirão'') ou na participação de Juçara Amaral (''Jardim Japão''), percebemos como o disco foi concebido em uma espécie de caldeirão de ritmos. Mesmo assim, o tom que percorre todo o álbum advém unicamente das letras delicadas de Campos, que cria uma Bahia fictícia e conta, dentro dela, a história de personagens fascinantes. Passeando entre o afrobeat, o jazz e a MPB, o álbum é um ótimo exemplar do que está surgindo de bom na nova música brasileira.
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