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PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Rafael Ceribelli 
QUEBRANDO TUDO
Com músicas de batidas inconstantes e de letras igualmente nervosas, o primeiro disco do Death Grips - ''The Money Store'' - tenta fundamentar a sua sonoridade através de experimentações dentro de uma fórmula incomum: do rap-punk 'reacionário'. Com composições que são fruto de um caldeirão de influências na cena do hip-hop e techno, o grupo liderado por Stefan Burnett (MC Ride) expressa toda a sua raiva pelo mundo através de uma confusão constante: isso porque não sabemos do que ele está reclamando e, muitas vezes, sua voz distorcida se perde no meio da camada sonora de sintetizadores. Os pontos que o Death Grips ganha pela ousadia do projeto, ele perde por suas faixas repetitivas e verborragia gratuita. Ao ouvir o disco inteiro, você vai ficar com raiva. Não no bom sentido.
NADA E TUDO
O sétimo álbum do quarteto goiano Violins - ''Direito de Ser Nada'' - continua com suas canções baseadas em letras poéticas do guitarrista, vocalista e compositor Beto Cupertino, todas envolvendo as facetas do amor. Com um trabalho instrumental complexo, a banda explora o romance de diversos ângulos; seja em melodias doces, cruéis ou meio amalucadas, a maior virtude do Violins é a de não se deixar restringir à um só gênero, arriscando, em um momento e outro, caminhar pelo não-convencional. Só pela coragem, já vale uma ouvida. Destaque para as faixas ''Do Combate'' e ''É Como Está''.
NOVO SOM VELHO
O álbum de estreia do grupo escocês Django Django já está dando o que falar no Reino Unido. Aclamados por fazerem um revival competente do som psicodélico criado ao final dos anos 70, o quarteto formado por David Maclean, Vincent Neff, Jimmy Dixon e Tommy Grace consegue criar melodias agradavéis, com características que são, ao mesmo tempo, retrôs e modernas. Escapando da armadilha de conceber uma overdose sonora com parafernálias digitais, as 13 faixas do primeiro álbum de Django Django são minimalistas, com baterias marcantes e alguns momentos 'clean'. Transitando por experiências calminhas - ''Life is a Beach'' - até experimentações mais robóticas (que lembram Kraftwerk), o Django consegue criar música de qualidade, concebida, assumidamente, a partir das cinzas de seus antepassados. Não é magia, é tecnologia. E pura criatividade.
FUTURO NEBULOSO
Novo projeto do músico e produtor Darren Cunningham - que assumiu o codinome de 'Actress' - o álbum ''R.I.P'' atinge o ouvinte desavisado com uma das mais interessantes experimentações eletrônicas dos últimos anos. Misturando sons de teclado, harpa e linhas de baixo caóticas, Cunningham concebe uma jornada estranha, deliberadamente descoordenada, e que vai surpreender os sentidos de diversas formas. Fundamentalmente imagética, a sonoridade do disco remete a uma espécie de solidão futurista; é como se o álbum fosse ideal para ser tocado nas vielas sujas e decadentes de Blade Runner. Como trilha sonora, é ótimo. Como álbum, pode depender da sua sobriedade e estado mental. Destaque para as ótimas faixas ''Shadow From Tartarus'' e ''Jardin''.
LÁ VEM O NEGÃO
Apresentando uma pegada groove que mistura funk, jazz, rap e rock, o álbum ''Sintoniza Lá'' é o novo projeto do músico BNegão. Gravado na companhia uma gama selecionada de amigos que o acompanham desde a época do Planet Hemp e The Funk Fuckers - apelidados de 'Seletores de Frequência' - o disco é uma irresistível mistura. Com rimas marcantes pontuadas por saxofones, batidas dançantes e/ou guitarras distorcidas, BNegão continua evoluindo sua música com qualidade, contando com um suingue cada vez mais refinado e críticas sociais bem-humoradas. Dessa maneira, o compositor se reafirma como um dos mais proeminentes dessa geração.
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