O MELHOR DOS MUNDOS

Se fosse combinado, não daria tão certo. Parceiro de Jack White na banda The Raconteurs, o músico Brendan Benson também lança esta semana o seu quinto álbum solo, ''What Kind of World''. O disco, pegajoso desde a primeira ouvida, vem com o que Benson sabe fazer de melhor: melodia pop de qualidade. Seguindo o seu estilo, que alterna peso e suavidade, o disco já abre sua faixa-título com sintetizadores e guitarras marcantes, e segue melhorando música após música, com arranjos e letras belíssimas, carregando forte influência dos Beatles e do pop-rock dos anos 80. Depois de 16 anos de carreira e cinco ótimos discos lançados, não é por acaso que Brendan Benson é visto como um dos maiores 'injustiçados' no meio musical. Virtualmente esquecido pelo grande público, o músico pode não ter o 'appeal' visual - ou até ser considerado muito 'triste' ou 'tímido' - para arrancar gritos de fãs adolescentes, mas suas canções estão entre as melhores do universo pop. Infelizmente, música boa já não é o requerimento principal para se destacar neste mundo de Justin Biebers, Lady Gagas, purpurina e glamour.






SÓ NA BRISA

Com violões calminhos e uma música sossegada e reconfortante, Jason Mraz lança seu quarto disco, ''Love Is a Four Letter Word'', seguindo a sua proposta musical, com agradáveis batidas e letras explorando seu tema preferido: o amor. Mas nada de angústia e confusão. O sentimento, para Mraz, é como uma tarde chuvosa de sábado, é como ler um livro de poesia na varanda ou se deitar na grama junto à pessoa amada, cabeça com cabeça. ''É pessoal. É melódico. É suave'', definiu o próprio músico, em entrevista no ano passado para a Billboard. O amor pode até ser cego, mas não é surdo. Destaque para as ótimas músicas ''Be Honest'' e ''The World as I See it''.






ENTRE AMIGOS

Com experimentalismo e psicodelia de qualidade, o Flaming Lips lança seu novo disco - ''Flaming Lipes and Heady Fwends'' - como uma coletânea colaborativa, com músicas gravadas com amigos e convidados especiais: entre os selecionados pela banda estão representantes de diversos gêneros musicais como Ke$ha, Chris Martin, Nick Cave, Yoko Ono, Bon Iver e Prefuse 73, entre outros. Fugindo da obviedade musical, as faixas compostas pelo Flaming Lips podem até serem um pouco 'cabeçudas' e difíceis de digerir em um primeiro momento, mas (seguindo a linha do Pink Floyd e de outros exemplares do rock progressivo) debaixo da camada sonora construída pela banda se escondem melodias simples, tocantes e envolventes. Com um disco do Lips, nunca espere paixão à primeira vista, mas sim um relacionamento longo e duradouro depois da segunda ou terceira ouvida.






MUITO BARULHO, POUCO EFEITO

Em seu sexto álbum de estúdio, a banda The Mars Volta (formada pelo duo Omar Rodrigues-Lopez e Cedric Bixler-Zavala) aposta novamente na pesquisa sonora para tentar atingir outro nível de composição. Infelizmente, a jornada dos rapazes em seu novo álbum, ''Noctourniquet'', derrapa muitas vezes no mesmo erro de seus trabalhos anteriores: alguns momentos bastante inspirados são seguidos de saídas 'estranhas', redundantes e que parecem planejadas, forçadas e pouco originais. É um experimentalismo maquiado, que tenta enganar os ouvidos desatentos através de muito ruído. Mesmo assim, vale a pena conferir algumas faixas. Destaque especial para as músicas ''The Whip Hand'' e ''In Absentia''.






NADA DE NOVO, DENOVO

Com batidas marcantes, o novo álbum da diva pop Madonna - intitulado ''MDNA'' - esbanja da antiga fórmula da cantora, com músicas de refrões repetitivos, pontuadas por ritmos dançantes. Já há algum tempo, a música de Madonna não é mais revolucionária e desafiadora como aquela presente nos álbuns Like a Virgin (1984), Erotica (1992) e Ray of Light (1998). Mesmo assim, depois de tantos anos no topo das paradas, ela ainda tem energia suficiente para deixar sua marca e compor algumas faixas boas, formuladas milimetricamente para serem sucesso garantido nas pistas do mundo. Destaque para ''Gang Bang'' e ''Turn Up the Radio''.


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