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PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Rafael Ceribelli 
FORA DA TOMADA
Dizem que a versão acústica de uma banda serve como medida para a qualidade musical que ela verdadeiramente alcança. Isso porque, despida do excesso de guitarras, sintetizadores e batidas, a melodia das faixas surge da maneira mais limpa possível, e fica mais fácil de avaliar a verdadeira 'cara' da música do grupo. Bom, se alguém ainda duvidava da qualidade musical de Florence + The Machines, o álbum ''Unplugged'' - lançado pela MTV americana - serve para reafirmar as belas composições da banda, em versões sem enfeites. Acompanhada por um coral de vozes e melodias marcantes, Florence Welsh mostra que a potência da sua voz, crua, é realmente impressionante, e o formato acústico sublinha nuances que, antes, ficavam escondidas nas versões originais. Destaque para as músicas ''Cosmic Light'', ''Dogs Days Are Over'' e ''Jackson'', cover de Johnny Cash.
BOA COMPANHIA
A impressão que fica depois de ouvir o lançamento do sétimo álbum de estúdio de Matt Ward, intitulado ''A Wasteland Companion'', é de que o músico folk/indie ainda não alcançou o reconhecimento que merece. Com melodias complexas - que combinam belos arranjos de guitarra, piano e gaita com a voz grave e arrastada de Ward - o compositor e multi-instrumentista segue o seu caminho construindo uma musicalidade original, que surpreende ao misturar referências de diferentes gêneros, com tons que passam pelo gospel, rock e country americano. Destaque para as músicas ''There's a Key'' e ''Sweetheart'', que conta com a participação especial da atriz/cantora Zooey Deschanel.
NADA ORIGINAL
Fazendo um apanhado de suas maiores influências musicais, o cantor Dinho Ouro Preto dispensa a companhia do Capital Inicial em seu disco solo de covers, ''Black Heart'', onde 'reinventa' clássicos de grupos como Smiths, Joy Division e de outros sons mais recentes como do Muse e The Raconteurs. Equalizando todas as canções do álbum com o jeito 'Dinho' de cantar (se você já ouviu qualquer música do Capital, sabe do que estou falando), a homenagem sai pela culatra, porque consegue arruinar a maioria de suas faixas. Enquanto algumas versões - como a manjada ''Hallelujah'' (Leonard Cohen) e ''Being Boring'' (Pet Shop Boys) - são até boas, mas não acrescentam nada às versões originais, outras - como ''Steady as She Goes'' (The Raconteurs) e ''Nothing Compares 2U'' (Sinead O'Connor) - são apavorantemente ruins, desqualificando as melodias e conferindo para elas uma roupagem de karaokê. Esses não são os primeiros erros da carreira solo de Dinho. Vamos esperar que sejam os últimos.
AINDA NA ATIVIDADE
Celebrando 15 anos de banda e dez álbuns de estúdio, o Charlie Brown Jr. - que voltou à sua formação original - lança o CD e DVD ''Música Popular Caiçara'', gravado como registro de dois shows feitos em Curitiba e Santos no final do ano passado. Liderado pelo vocalista e compositor Chorão, o Charlie Brown mostra que ainda esbanja energia nas suas apresentações ao vivo, dominando o público com hits de diversas épocas da banda. Passando por clássicos da banda como ''O Coro Vai Comê'' (topo das paradas em 1997) até sucesso mais recentes como ''Dias de Luta'', do álbum ''Camisa 10 Joga Bola Até na Chuva'' (2009), o disco tem um ritmo alucinado. Você pode até não gostar de Charlie Brown, mas é impossível não respeitar o que a banda representa: CBJR é uma sobrevivente dos anos 90, um tempo em que - enquanto dividia as rádios com a pegada forró/punk do Raimundos - o rock brasileiro 'mainstream' ainda era sincero e vibrante.
ROCK AND BOSSA
Terceiro disco da banda Huaska, ''Samba de Preto'' continua com a experimentação ''Bossa com Metal'', responsável por fazer o som do grupo de São Paulo ser reconhecido nacionalmente. Alternando a distorção das guitarras com a leveza de acordes dedilhados para violão, essa estranha mistura dos gêneros hardcore, new metal, samba e bossa nova funciona surpreendentemente bem. Com o aval dado pelas participações especiais de Eumir Deodato e Elza Soares, o disco tem nove boas músicas autorais, que vão te deixar na dúvida entre balançar a cabeça ou sambar no pé. Ousado, o Huaska arrisca até colocar bateria, aumentar a guitarra e cantar com sotaque paulistano na clássica ''Chega de Saudade'', de Vinicius de Moraes e Tom Jobim. E o pior é que dá certo.
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