LABIRINTO SONORO

Difícil definir o quebra-cabeças de gêneros que definem o som do trio carioca ''Lotus Combo''. Em seu primeiro disco, ''Alusão provável a um quadro'' - lançado de forma independente -, a qualidade musical dos garotos é demonstrada pela ampla variedades de estilos em uma fusão de jazz, blues e uma pegada progressiva. O resultado é surpreendente; com quatro faixas autorais (''Natasha'', ''Granizo Vermelho'', ''Jazz pras Onze'' e ''Rex Legis'') os músicos Rodrigo de Marsillac (piano), Domenico Botelho (contrabaixo) e Miguel Couto (bateria) demostram uma habilidade invejável, confundindo o ouvinte a cada virada de temas e traçando novos caminhos dissonantes, que agradam e surpreendem. A diversidade musical também é demonstrada por releituras de Brahms, Debussy, Villa-Lobos e canções do folclore brasileiro. Existe vida, nova e pulsante, fora do 'mainstream' nacional. Confira no site oficial da banda (www.lotuscombo.com).



SUBMARINO VERDE E AMARELO

Compositor inglês radicado no Brasil, o músico Dan Torres - que ganhou reconhecimento nacional depois de participar do programa Fama, da Rede Globo, em 2004 - lança seu novo álbum, ''Bring it Around'', cantado inteiramente na sua língua natal. Levando na bagagem (e evidenciando na própria capa do disco) a forte influência do pop rock britânico em suas faixas, o segundo disco solo do cantor passeia por entre os tons de James Blunt e Maroon 5. Famoso por produzir baladas agradáveis, Dan já emplacou músicas em novelas da Globo, e tem o mérito de apostar em um trabalho autoral. Apesar disso, o resultado final ainda é pouco original. Parece que a verdadeira identidade de Dan Torres ainda está para ser revelada. Don't give up.






AINDA CORRENDO

Desde ''Born to Run'' (1975), a lenda musical de Bruce Springsteen sempre esteve presente na cena musical americana. Seja pelos acordes de seus trabalhos posteriores - irregulares comercialmente, mas sempre relevantes - quanto pela influência do guitarrista e compositor para gerações de músicos, é inegável a importância de sua obra para o rock/folk nos EUA. Pontuando mais uma fase de sua carreira, o álbum ''Wrecking Ball'' apresenta boas composições, carregadas de críticas sociais e que ecoam a fase áurea de Springsteen. O disco também traz participações especiais do guitarrista Tom Morello, do Rage Against the Machine, e do baterista Matt Cameron, do Pearl Jam. O destaque fica por conta do primeiro single do álbum, ''We Take Care of Our Own''.






FLORES DE PLÁSTICO

Depois de 11 anos sem lançar material inédito e de 6 anos de 'férias' dos palcos, o grupo irlandês Cranberries tenta sair do ostracismo com o álbum ''Roses''. Nada de muito novo: a voz delicada de Dolores O'Riordan ainda é embalada com um folk inglês de qualidade, com o mesmo tom que relembra os grandes sucessos da primeira metade dos anos 90 do grupo - como ''Linger'' e ''Zombie''. Sem inovar, o grupo se mantém fiel à fórmula que garantiu o topo das paradas nas rádios de todo o mundo. Em um período que a música pop passa por uma crise de qualidade, o velho som dos irlandeses é recebido como um suspiro de ar fresco. Destaque para as faixas ''Fire & Rain'' e ''Waiting in Walthamstow''.






VIAGEM AO PASSADO

Apaixonados pelo cinema mágico de George Méliès, o duo francês Air - formado por Nicolas Godin e Jean-Benoít - aceitou a dura missão de modernizar a trilha sonora do icônico ''Voyage Dans la Lune'', de 1902. Com faixas gravadas ao vivo em estúdio, os sintetizadores percorrem o roteiro do filme, pontuando cada cena. O disco é uma homenagem singela, repleta de experimentações interessantes que, apesar da modernidade sonora, experimental e progressiva, não descaracteriza o clima criado pela obra-prima de Méliès. Coloque o fone de ouvido, feche os olhos e embarque nessa jornada. Depois de 110 anos, ainda vale a pena. Destaque para ''Seven Stars'', com participação especial da cantora Victoria Legrand.


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