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PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de março de 2012
Rafael Ceribelli 
REMOTO PASSADO MUSICAL
Depois de quase 30 anos vivendo do fantasma das músicas ''Rádio Pirata'' e ''Olhar 43'' (grandes sucessos dos anos 80) os veteranos cinquentões do RPM lançam um novo disco de inéditas. O projeto - intitulado ''Elektra'' - mostra a que veio já em sua primeira faixa: uma explosão de teclados, guitarras com delay e baterias eletrônicas, tudo combinado com voz afetada de Paulo Ricardo. O ritmo de todo álbum segue da maneira 'oitentista' já esperada - meio eletro-brega, com letras de rimas fáceis. O disco extra, de 'remixes', também é mais do mesmo. Até os fãs que ainda curtem o primeiro (e único) LP do RPM podem se sentir um pouco desapontados. Nada de revolução. Nada de evolução.
CAIXINHA DE PESO
Compilando a obra completa de uma das maiores revelações do metal nos anos 2000, o box ''System of a Down'' reúne todos os cinco discos lançados pela banda armênio-americana. Com um som muito pesado, mas sem perder suas nuances melódicas - muito disso devido ao vocal 'arábico' do vocalista Serj Tankian - o System conseguiu atravessar a barreira do metal, atingindo as rádios e sucesso entre diversos públicos em todo o mundo. Contando com os discos ''System of a Down'' (1998), ''Toxicity'' (2001), ''Steal this Album!'' (2002), ''Hipnotize'' e ''Mesmerize'' (ambos de 2005), a caixa proporciona horas de hard metal da melhor qualidade. Apesar disso, também suscita uma dúvida: será que o System tem algo mais a proporcionar, ou a fórmula está esgotada? Sem lançar um álbum há mais de seis anos, a banda - que voltou a se reunir para tocar no Rock in Rio ano passado - terá que provar que seu som não faz parte de um sistema falido.
ROCK TRISTINHO
Sabe aquele pop rock de guitarras fraquinhas, cheio de rimas melosas e com vocais afeminados? Pois é, o primeiro álbum de ''Valetes'' revela, nas suas 15 faixas, melodias que seguem o terrível 'manual do emocore' - com genes da família Restart e de outras tantas bandinhas desse naipe. Tentando emplacar nas rádios através dos sentimentos adolescentes em seus versos, a imaturidade musical é patrocinada (e bem fabricada) pelas mãos do famoso produtor Rick Bonadio. Parece que o chororô, nada original, já deu frutos; a banda sempre figura entre os primeiros no programa Top 10, da MTV Brasil. Isso, sim, é uma verdadeira tristeza.
SURPRESA DE LUGAR NENHUM
O som do dueto britânico The Ting Tings volta de cara nova no seu segundo álbum, ''Sounds From Nowhereville''. Produzido depois de um período de 'isolamento' criativo da dupla em Berlim, o disco revela um verdadeiro leque de gêneros musicais. Repleto de baladas contagiantes autoproduzidas por Katie White e Jules de Martino, o aguardado álbum é uma mistura musical de boas faixas - com influências de folk, eletrônico, R&B e rock and roll - e o disco comprova que os Tings são mais do que uma boa promessa; o refinamento musical da dupla é louvável, e eles concebem um pop da mais alta qualidade. Destaque para as ótimas batidas de ''Sound Killing'' e ''Give it Back'', e também para a lentinha ''Day to Day''. Aumente o som e balance a cabeça.
ESTRELA FABULOSA
Desde que largou as baquetas e se dedicou à carreira solo como frontman, o ex-Beatle Ringo Starr era o único integrante do Quarteto Fabuloso que o público pensava que seria consumido pelas 'areias do tempo' do show business. Muito pelo contrário: depois de 17 álbuns de sucesso (comercial e musical), Ringo, em pleno século XXI, ainda é um músico - e entertainer - de primeiro escalão. A sua vitalidade sonora é visível no seu último lançamento, ''Ringo 2012'', lançado no começo do mês. As faixas novas são divertidas e honestas, com um rock que ecoa o seu som setentista. Além disso, o álbum tem covers de Buddy Holly (''Think it Over'') e regravações de duas músicas de seus discos anteriores (''Step Lightly'' e ''Wings''). Quem já foi Beatle nunca perde a majestade.


