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PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Rafael Ceribelli 
COLÍRIO PARA OS OUVIDOS
A única coisa boa que sobrou de ''Sucker Punch'' - última viagem de ácido do diretor Zack Snyder - é a sua trilha sonora, que tem sucesso em regravar versões 'bizarras' (e boas) de hits conhecidos. A melhor opção é apertar o play, fechar os olhos e apenas escutar as músicas, que foram feitas especialmente para o longa. Destaques para as versões da atriz Emily Browning para a música ''Sweet Dreams (Are Made of This)'' e da atriz Alison Mosshart para o clássico dos Beatles ''Tomorrow Never Knows''.
ACELERANDO NAS PISTAS
Destaque em Cannes este ano (onde o cineasta Winding Refn ganhou o prêmio de Melhor Diretor) e um dos filmes mais comentados de 2011, a única coisa que não levanta discussão em ''Drive'' é sua excepcional trilha sonora. Enquanto acompanhamos Ryan Gosling - interpretando o quase-mudo ''Motorista Sem Nome'' - acelerando pela noite nas ruas de Los Angeles, nossos ouvidos são privilegiados pelos sons de Kavinsky & Lovefoxxx, do College e The Chromatics, que criam uma aura futurista e eletrônica, e que auxiliam imensamente na tensão construída pela narrativa. Com 19 faixas, a trilha sonora original de ''Drive'' é o exemplo perfeito de como boas músicas podem ser indispensáveis para um ótimo filme.
NO OUTRO CARRO...
Antes do lançamento do aclamado ''Drive'', um outro filme que também tem um automóvel como personagem e que também usou a música ''Nightcall'' (de Kavinsky e Lovefoxx) em sua trilha é o longa ''O Poder e a Lei''. Infelizmente, as semelhanças param por aí. Com uma história bem mais fraquinha, o ronco dos motores do filme estrelado por Matthew McConaughey não chamou tanta atenção do público e da crítica. A trilha sonora vale mais a pena do que o próprio filme, onde o rádio do velho carro Lincoln mistura boas faixas de R&B, hip-hop, soul e rock. Destaque para as músicas ''Ain't no Love in The Heart of the City'', de Bobby 'Blue' Band e ''107 Degrees'', de Citizen Cope.
DIVERSÃO DE PELÚCIA
A trilha sonora cantada por Caco, Piggy, e pelo resto dos bonequinhos da turma dos ''Muppets'' consegue ser tão divertida quanto o último filme da franquia. O disco duplo, com 30 músicas, abre com uma faixa grudenta e pegajosa, ''Life's a Happy Song'', e tem muitas surpresas, incluindo uma versão de ''Smell Like Teen Spirit'' cantada pelo conhecido 'Barbershop Quartet' dos bonequinhos. A música ''Man Or Muppet'', criada pelo ator e compositor Jason Segel (que já havia demonstrado seu talento musical na comédia ''Ressaca de Amor'', de 2008) foi ganhadora este ano do Oscar de ''Melhor Canção Original'', vencendo o samba da música brasileira ''Real in Rio'', de Carlinhos Brown e Sérgio Mendes.
TERROR SONORO
Consolidando o trabalho da dupla Trent Reznor e Atticus Ross como entre as dos melhores compositores para o cinema na atualidade, a angustiante trilha de ''Millenium - Os Homens Que Não Amavam as Mulheres'' é uma experiência estranha, que mistura tons dissonantes com notas de piano, e que consegue ilustrar com perfeição o ambiente de violência, sexo, sangue e tecnologia do filme. Esta é a segunda parceria de Reznor com o diretor David Fincher (ano passado, o compositor ganhou o Oscar de ''Melhor Canção Original'' pelo seu minimalismo em ''A Rede Social''), e o disco não é fácil de ouvir, mas sua genialidade está escondida nos detalhes. A única faixa não-original da trilha é a versão futurista de ''Immigrant Song'', que praticamente reinventa a canção do Led Zeppelin.


