EMBRIÃO DO SAMBA
Não é por acaso que a capa do último disco do cantor e compositor Wado é a de um feto, encolhido; o lançamento independente de ''Samba 808'', sexto trabalho do músico catarinense radicado em Alagoas, foi mesmo um parto - carregando como seu principal instrumento a bateria eletrônica Roland-TR808 -, o que o músico apresenta neste álbum é uma mistura nostálgica, bonita, de um samba poético e que mistura diversas pitadas eletrônicas. Lançado exclusivamente em formato digital, o álbum (que pode ser baixado gratuitamente pelo site www.wado.com.br) também conta com as participações especiais de Zeca Baleiro, Chico Cézar, André Abujamra, Mallu Magalhães e Marcelo Camelo. Se um novo samba está nascendo, Wado, definitivamente, é o pai da criança.


DOIS É BOM. UM É POUCO.
Um dos lançamentos mais comentados do ano passado, o segundo disco solo do ex-hermano Marcelo Camelo, ''Toque Dela'', sempre dividiu opiniões; aclamado por uma parcela cabeçuda da crítica musical e por um séquito de fãs que defende 'hasta la muerte' qualquer barulho que Camelo faz (público que, bem no fundo, vai aos shows mesmo para ouvir algum bis da 'era hermana'), ''Toque Dela'' tem méritos ao apresentar uma evolução clara do músico em relação ao seu primeiro trabalho solo, ''Sou'' - que deveria ser intitulado ''Sono'', de tão sem graça - mas o disco ainda não consegue compor um misto satisfatório de técnica e fluidez musical, e acaba com canções que soam forçadas, feitas com muito dedilhado e pouco coração. A distorção e o grito rasgado do hermano Amarante nunca fizeram tanta falta. Destaque para a faixa ''Acostumar'', boa surpresa do álbum.


TRILHA PESSOAL
Mergulhando em sua própria biografia com uma aura experimental que mistura música africana, portuguesa e brasileira, o álbum ''Memórias Luso/Africanas'', primeiro disco solo do paulistano Gui Amabis, é uma experiência particular na música nacional. Amabis, praticamente desconhecido do grande público, já tem um extenso trabalho musical em trilhas sonoras de séries de televisão e de diversos filmes (como ''O Senhor das Armas'' e ''Bruna Surfistinha''), e essa experiência como soundtracker parece ter tido grande influência no modo de Amabis conceber o seu primeiro disco: ''Memórias'' conta uma história, é conceitual, e precisa de uma audição detalhada, com calma, para revelar o que a mistura de gêneros musicais - velhos e novos - realmente proporciona. Destaque para as faixas ''Orquídea Ruiva'' e ''Doce Demora''.


CARNAVAL DO MAL
Não espere muita alegria e lantejoulas. Com letras pesadas, reflexivas e cinzas, o 'samba maldito' do quarteto paulistano Passo Torto - composto pelos músicos Rômulo Fróes, Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e Marcelo Cabral - chamou a atenção do público e da crítica pela sua originalidade musical. Com uma poesia urbana sincera, o primeiro disco de Passo Torto (o álbum, homônimo, pode ser baixado gratuitamente pelo site www.passotorto.com.br) expõe reflexões sobre lugares, sentimentos e personagens, tendo como cenário o lado triste da selva de pedras na capital paulista. Destaque para as faixas ''Mulher Morta'' e ''Sem Título e Sem Amor''.



NOVO SAMBA VELHO
Apresentando um samba bonito e compassado, com letras que exploram o amor e a solidão, o álbum ''Um Labirinto em Cada Pé'', disco solo do músico Romulo Fróes (que também é integrante do Passo Torto) traz uma sonoridade que mistura toques de rock, de marchinhas e de frevos carnavalescos, com mensagens que são reveladas por meio de uma poesia breve, meio fora de ordem, às vezes triste e muitas vezes bela. Acompanhado por Rodrigo Campos (cavaquinho e violão), Guilherme Held (guitarra), Marcelo Cabral (baixo), Pedro Ito (bateria) e Thiago França (saxofone), o disco de Fróes ainda conta com ótimas participações especiais de Nina Becker, Arnaldo Antunes e Dona Inah. Um trabalho coeso, que aponta para as novas fantasias em um velho carnaval.

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