SHUFFLE
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Rafael Ceribelli 
ALMA NEGRA
Mantendo o ritmo 'retrô' e romântico que chamou a atenção do público em seu disco de estreia, o músico Mayer Hawthorne lança seu segundo álbum - ''How Do You Do?'' - dando continuidade ao seu swing característico. Misturando o balanço da época da brilhantina com toques modernos, esse branquelo estranho, de cabelos bagunçados e olhos azuis, consegue compor uma 'soul music' sincera, contagiante, que resgata o clima da época de ouro da Motown (gravadora dos Jackson Five). Destaque para as faixas ''Can't Stop'', com participação de Snoop Dogg, e ''The Walk''.
ESPERANÇA DO R&B
Apadrinhada por ninguém menos que Amy Winehouse, a jovem Dionne Bromfield, de apenas 13 anos, lança o seu primeiro disco - ''Introducing'' - mostrando que já canta igual gente grande. Com timbres potentes e uma pegada R&B que lembram muito os da própria Amy, em seu álbum de estreia a garota faz versões para músicas de Stevie Wonder (''With a Childs Heart''), The Shirelles (''Foolish Little Girl'') e Aretha Franklin (''Until You Come Back to Me''), entre outros grandes artistas. Produzido impecavelmente por Jon Moon, o mesmo que trabalhou com Winehouse em ''Back to Black'', o álbum pode marcar o surgimento de uma nova estrela. Resta agora ver se ela vai sobreviver sozinha, sem a luz do imenso talento de sua madrinha.
SEM PARAR
Com baladas dançantes e eletrônicas, o músico Tato Cruz lança seu novo álbum/balada ''Ty.O''. Repleto de músicas agitadas - que são feitas sob medida para quem gosta de curtir a noite acompanhado de uma batida repetitiva e incansável - o disco vai agradar o público que curte o som que rola nas boates. Com hits instantâneos como ''Hangover'' (faixa que faz parte da trilha de ''Se Beber, Não Case 2'') e ''Shotcaller'', Tito não faz nada de inédito, mas o álbum é suficientemente bem produzido para ficar no topo das paradas nas rádios.
MÚSICA CALIENTE
Considerada a Rainha do pop latino, a cantora cubana Gloria Estefan lança seu 24º álbum, ''Miss Little Havana'', como um divertido projeto familiar: escritas em parceria com seu marido e com sua filha na guitarra, as composições animadas foram feitas milimetricamente - refrão sobre refrão - para grudarem na cabeça e conquistarem as pistas de dança do mundo. Abusando do pano de fundo latino, pelo menos a cantora escapa da armadilha de basear sua melodia em sintetizadores e batidas eletrônicas - fórmulas que grupos como LMFAO e Pitbull já esgotaram completamente. Apesar de bem intencionado, o disco inteiro é como um prato muito condimentado, que só vai agradar quem gosta muito, muito mesmo, das batidas da terra de Fidel. Atenção! O primeiro single, ''Wepa'', já é o suficiente para deixar o ouvinte mais 'morno' com dores de cabeça, ay, ay, ay!
ROCK DE BRINQUEDO
Surfando na onda de bandas como Fake Number, Fresno e For Fun, os garotos do In Box lançam seu primeiro álbum, ''Venha o Que Vier'', com treze faixas autorais que tentam ganhar a simpatia dos pré-adolescentes. Com rimas plásticas e bonitinhas, o álbum (produzido por Rick Bonadio, o que é sempre um mal sinal) infelizmente não foge da ciclo destrutivo no qual o 'rock' brasileiro entrou de cabeça: letras melosas, que lembram poemas de colégio, superficiais e sem profundidade. Musicalmente, o In Box até tem talento - principalmente quando evita cantar em falsete agudo, assinatura de qualquer banda 'emo' nacional. A boa notícia é que, na capa do disco, um de seus integrantes está com a camiseta do Motorhead: pelo menos, os ouvidos dos garotos estão no lugar certo.
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