AZEDINHO SABOROSO
Novo projeto paralelo da cantora Pitty e do músico Martin Mendonça, o álbum ''Agridoce'' busca, desde a sua incomum gravação - que foi feita em uma casa isolada, na Serra da Cantareira - alcançar uma sonoridade intimista e sentimental. Deixando as guitarras elétricas de lado e apostando na base melódica de violão/piano, o 'folk' acústico da dupla carrega influências (apontadas pela própria Pitty) das músicas de Leonard Cohen, Nick Drake, Jeff Buckley e Elliot Smith, revelando um lado menos distorcido nas composições da cantora. Destaque para as faixas ''Say'', a francesa ''Ne Parle Pas'' e para o cover dos Smiths, ''Please, Please, Please. Let Me Get What I Want''.

CÓPIA FIEL
Explorando uma sonoridade um pouco diferente da de seus dois álbuns anteriores, o The Kooks lança ''Junk of The Earth (Happy)'' como uma tentativa de se desviar das ferozes críticas da mídia e de outras bandas da Inglaterra. Polêmicos, os Kooks têm rixas com o Arctic Monkeys e Razorlight, que acusam o grupo de ser ''pouco original'', plagiando vários sucessos da música pop. Sim, o novo álbum do The Kooks não vai mudar sua vida, mas está longe de ser horrível como pintam por aí: faixas como ''Is It Me'' e ''How'd You Like That'' são bastante agradáveis aos ouvidos, e o álbum, como um todo, é bem produzido. Se nada se cria e tudo se copia, o Kooks é - pelo menos - uma réplica bem feitinha.

NA TRILHA DE WOODY
O célebre diretor de ''Noivo Neurótica, Noiva Nervosa'' e ''Tiros na Broadway'' não entende só de cinema, mas também de música. A prova disso está no álbum ''Woody Allen - La Musique: de Manhattan a Midnight in Paris''. Com 36 faixas que resumem a trajetória cinematográfica do cineasta, a trilha é eclética, e passa pela música minimalista de Phillip Glass (do filme ''O Sonho de Cassandra'') até a trágica e dramática ''Il Trovatore'', de Verdi (''Matchpoint - Ponto Final''). Com climas diversos, cada uma das faixas tem sucesso em transpor o sentimento do seu respectivo filme. O diretor uma vez afirmou, com sua famosa ironia, que ''as pessoas sempre se enganam sobre mim: pensam que sou intelectual, porque uso óculos, e que sou um artista, porque meus filmes sempre perdem dinheiro''. Depois desse álbum, Woody também pode ser, merecidamente, qualificado como DJ.

MAIS UM POUCO DE MALANDRAGEM
Dá para matar a saudade da voz rouca de Cássia Eller (1962 - 2001) na coletânea ''Relicário''. O álbum é uma homenagem que revisita as parcerias feitas pela cantora com o músico, compositor e amigo Nando Reis. Com 11 faixas remasterizadas e 3 inéditas (''Um Tiro no Coração'', ''As Coisas Tão Lindas'' e ''Baby Love''), o disco também é repleto de hits como ''O Mundo é Bão, Sebastião'' e ''Segundo Sol'' - músicas que conquistaram as rádios nos anos 90 e que ficaram marcadas definitivamente pela interpretação de Cássia. Para os fãs, a coletânea representa um tesouro imperdível; para o resto, é uma triste lembrança de que a melhor fase do rock brasileiro ficou no passado.

A REVOLTA DAS MÁQUINAS
O aguardado segundo álbum de Florence + The Machine, intitulado ''Ceremonials'', consegue ser uma versão maior, melhor trabalhada e mais dramática do que o seu antecessor. Com um grande sucesso ao redor do mundo, o disco serve para consolidar a fama meteórica alcançada pelo primeiro trabalho da banda, reafirmando o talento musical de seus integrantes. Liderado pela emblemática/esquisita Florence Welch (dona de uma personalidade que lembra a de Lady Gaga e de Jannele Monáe, tão comum no universo pop contemporâneo) o novo álbum abusa dos sintetizadores e de uma musicalidade futurista, criando uma atmosfera sonora que - quando contraposta com a bonita voz de Florence - revela um irresistível apelo pop. Destaque para as músicas ''Shake It Out'' e ''Kiss With a Fist''.

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